Política

Oposição comemora vitória do impeachment com pizza e vinho em Brasília

Reunião na mansão da filha de Heráclito Fortes avaliou votação na Câmara

Reunião foi feita na mansão da filha de Heráclito Forte (PSB)
Reunião foi feita na mansão da filha de Heráclito Forte (PSB) Foto : Valter Campanato / Agência Brasil / CP
A noite de alguns parlamentares pró-impeachment terminou em pizza, neste domingo. Na mansão da filha do deputado Heráclito Fortes (PSB-PI), no Lago Sul, região nobre de Brasília, parlamentares comemoraram o resultado da votação da Câmara dos Deputados favorável ao afastamento da presidente Dilma Rousseff. O jantar oferecido por Heráclito, como já é de praxe, foi regado a vinho.

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Convicto da vitória, Heráclito participou diretamente das negociações em nome do vice-presidente Michel Temer na Câmara e cravou os 367 votos a favor do impeachment. Ele disse que não quis participar do bolão organizado pelo presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP), pois o momento pedia seriedade. No início da votação do domingo, já circulava entre os opositores 100 convites entregues pelo deputado para a comemoração.

Passaram pelo evento cerca de 50 pessoas, como o ex-ministro do governo Dilma, Mauro Lopes (PMDB-MG), o deputado Rubens Bueno (PR), líder do PPS, Fernando Coelho Filho (PE), líder do PSB, Efraim Filho (DEM-PB), Sarney Filho (PV-MA) e Carlos Bezerra (PMDB-MT). O deputado Carlos Marum (PMDB-MS) chegou às 2h, depois de um coquetel mais reservado na casa do vice-presidente Michel Temer, com 30 parlamentares.

Durante o bate-papo que foi até de madrugada na casa de Heráclito, a avaliação foi de que, caso Luiz Inácio Lula da Silva ainda estivesse na Presidência, não teriam conquistado votos importantes para aprovar o impeachment. Mesmo entre os petistas, eles consideram que a grande maioria é lulista e não apoia Dilma. Como aliado da presidente, citaram o vice-líder do governo, Silvio Costa (PTdoB-PE), que chorou com o resultado da votação.

Sobre as traições que pegaram o governo de surpresa, os deputados da ala oposicionista brincaram com o fato de que o governo ficou até o último instante tentando negociar cargos, mesmo com o "barco naufragando, com metade do casco debaixo d'água". Alfredo Nascimento (AM), ex-ministro dos Transportes, que votou contra Dilma, teria dito há alguns dias a um dos deputados que mudaria a sua posição por vingança.

Apesar de não querer se pronunciar publicamente antes de uma definição do Congresso sobre o assunto para não irritar os senadores, Temer começa a definir nesta segunda-feira, possíveis indicações para ministérios da sua "cota pessoal", que não entrarão na partilha dos partidos que o apoiaram. Entre as pastas, estão Fazenda, Justiça, Casa Civil, Defesa e Secretaria de governo.

A principal preocupação agora é de como Temer fará para sinalizar as mudanças aos empresários sem atropelar a decisão do Senado. Lá, aliados do vice-presidente avaliam que o cenário é muito diferente da Câmara e que a vitória não é garantida. Por isso, a estratégia é evitar pronunciamentos. "O áudio vazado já falou tudo o que precisava", comentou um parlamentar. Os peemedebistas reafirmaram que ainda há resistência do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-RJ), que pretende cumprir todo o rito. Eles calculam que a votação deve ocorrer em 17 de maio.

Após a guerra travada para conseguirem os votos necessários e dar sequência ao afastamento de Dilma, alguns dos principais articuladores de Temer na Câmara parecem não saber como agir nos próximos 30 dias. Eles temem que o vácuo no poder até a votação no Senado possa enfraquecer o vice-presidente.

No jantar de Heráclito, os deputados viam como solução a renúncia da presidente Dilma ou um acordo para um governo de transição. Chegaram à conclusão, no entanto, de que não há interlocutores no governo para este tipo de diálogo. Em uma roda de conversas, alguns parlamentares também criticavam a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de 2015, que determinou que o Senado poderia derrubar uma eventual decisão da Câmara de abrir um processo contra Dilma. Isso garantiu uma etapa a mais que pode dificultar o impedimento. Segundo eles, historicamente o Senado mede forças com a Câmara e poderia decidir contrariar os deputados.