As assinaturas foram dadas depois do discurso do ex-ministro Alfredo Nascimento, demitido em meio às denúncias na pasta. Em seu discurso no Senado, ele reclamou da falta de apoio da presidente Dilma Rousseff, mas reiterou seu apoio ao governo.
Nos minutos finais do expediente, no entanto, ao menos um dos signatários – o senador João Durval (PDT-BA) – voltou atrás, segundo o jornal Estado de S. Paulo. Ao longo da noite, os oposicionistas ainda tinham esperança de obter outra assinatura, mas corriam o risco, também, de sofrer novas desistências.
"PR não é lixo para ser varrido"
Em pronunciamento de mais de meia hora na tribuna do Senado, Nascimento afirmou que seu partido "não é lixo para ser varrido da administração pública". Em tom de indignação, ele enfatizou que o PR possui as mesmas qualidades e defeitos dos demais partidos políticos e saiu em defesa de seus filiados. "Eu não sou lixo, meu partido não é lixo, nossos sete senadores não são lixo", repetiu.
Sob denúncias de corrupção, o Ministério do Transportes e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) transformaram-se em alvo de profunda devassa do governo federal, que determinou a demissão, até agora, de 27 servidores. Essa iniciativa ganhou o apelido informal de "faxina" do governo federal, que a oposição deseja ver ampliada a outros órgãos.
Nascimento declarou que pediu à Procuradoria Geral da República (PGR) que instaure ampla investigação contra ele, oferecendo a abertura de seus sigilos fiscal, bancário e telefônico. No entanto, provocado pelo líder do PSDB - o senador paranaense Álvaro Dias -, o ex-ministro recusou-se a assinar o requerimento de abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) no Senado para investigar as denúncias contra o Ministério dos Transportes.
Seguindo a estratégia adotada pelo ex-diretor-geral do Dnit Luiz Antonio Pagot, Nascimento tentou dividir responsabilidades com outros partidos, outros ministros e com a própria presidente Dilma Rousseff. Nascimento afirmou que os fatos que provocaram sua demissão - superfaturamento de obras e cobrança de propinas - não ocorreram quando ele estava no cargo, porque ele se afastou em 31 de março para concorrer ao governo do Amazonas em 2010. Em contrapartida, quando ele reassumiu o posto no início deste ano, Nascimento afirma que verificou uma elevação excessiva nos valores dos contratos e, em seguida, teria informado Dilma do ocorrido.
Ainda segundo o ex-ministro, ao verificar a "disparada dos gastos" no ministério, ele teria levado a informação à ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e se comprometido com Dilma em efetivar um corte de R$ 10 bilhões nos gastos de sua pasta. Por fim, Nascimento ressaltou que todas as decisões do Ministério eram avalizadas pelo comitê gestor do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), formado pelos representantes dos ministérios dos Transportes, Planejamento e Casa Civil. "Não fui convocado para resolver distorções que não criei, nem para desfazer acordos dos quais não participei", defendeu-se.
Nomeação
Nascimento afirmou, ainda, que as nomeações na pasta dos Transportes não foram decididas individualmente por ele. O ex-ministro afirmou que as indicações partidárias para preenchimento de cargos no governo são "uma prática usual no País" e que ele chegou a nomear pessoas indicadas por outros partidos. Ele ressaltou, no entanto, que todas as nomeações têm o aval da Casa Civil e da presidente da República.