Política

Oposição questiona número oficial de CCs

Deputado aguarda desde janeiro informação do governo dobre cargos

As reclamações feitas pelo deputado federal Sérgio Moraes (PTB) sobre os critérios de seu partido para preencher cargos em comissão (CCs) no governo do Estado e as afirmações do presidente estadual do PT, Raul Pont, que alegou desconhecer o número de CCs que a sigla ocupa, provocam reações na oposição. Nessa quinta-feira, o líder da bancada do PMDB, deputado Giovani Feltes, disse duvidar que o governo tenha apenas 1.832 cargos em comissão, como informou a Casa Civil. "Temos certeza de que é mais do que o dobro disso. Em janeiro, o deputado Marco Alba encaminhou uma solicitação formal ao governo, pedindo informações sobre o número de CCs e suas lotações. Estamos esperando resposta até esta sexta. O governo fornece a informação pela imprensa, mas a sonega no caso do pedido formal de um deputado", disse Feltes.

A oposição busca dados sobre o número de cargos em comissão e o de funções gratificadas (FGs) e, ainda, sobre casos de servidores que somam um CC a uma FG. "Se o governo criou mais de 400 CCs em projeto encaminhado em janeiro, como pode ter só 1.832", indaga o vice-líder da bancada do PP, deputado Frederico Antunes. O deputado Adilson Troca (PSDB) afirma que, no início do governo Yeda Crusius, foi feito um corte de CCs, mas admite que, apesar disso, o número continua expressivo.

Mesmo dentro do governo, há divergências em relação ao informado pela Casa Civil. Outros setores do Executivo informam que são 1.939 os CCs nomeados e pagos mensalmente. E admitem que há uma cota de cargos ainda não nomeados, e sobre os quais não existe um controle efetivo. Essa cota seria utilizada em caso de necessidade de negociações internas e com aliados, ou para engordar salários.

O chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, reafirmou nessa quinta o número divulgado e negou que exista uma "caixa-preta". "Não existe nada disso. Não temos muito mais o que nomear porque a maior parte dos cargos já foi nomeada. Além disso, o problema não é o número de CCs e sim se as pessoas cumprem uma função. Na nossa avaliação, elas cumprem."


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