Política

Oposição rechaça acordo para votar dívida dos estados com retirada de direitos dos servidores

Refinanciamento teria contrapartida com reforma dos regimes jurídicos do funcionalismo

Jandira Feghali se pronunciou totalmente contrária a condições
Jandira Feghali se pronunciou totalmente contrária a condições Foto : Marcelo Camargo / ABr / CP
A reunião entre integrantes da oposição e da base aliada em torno do projeto de Lei que trata da renegociação das dívidas dos estados (PLP 257/16) acabou sem acordo. Líderes da oposição se reuniram na tarde desta quarta-feira com o relator da proposta, deputado Esperidião Amim (PP-SC), para tentar chegar a um acerto sobre pontos divergentes.

Na terça, após um acordo com os integrantes da base aliada do governo do presidente interino Michel Temer, os partidos da oposição retiraram a obstrução e possibilitaram a aprovação de medidas provisórias que trancavam a pauta. Pelo acordo, os deputados decidiram se reunir com o relator do projeto para tentar chegar a um entendimento sobre divergências.

O principal ponto de controvérsia trata de contrapartida exigida dos estados para adesão ao novo refinanciamento, o que, para a oposição, geraria a possibilidade de retirada de direitos dos servidores. Líder da minoria, a deputada Jandira Fhegali (PCdoB-RJ) acusou o governo de tentar inserir no projeto de lei pontos que tramitam na proposta de emenda à Constituição (PEC 241/16) que limita os gastos públicos.

“As contrapartidas que são postas aos estados são absolutamente inaceitáveis. Você passa a régua de forma homogênea sobre todos, impede a relação autônoma dos governadores sobre seus trabalhadores e ainda estabelece o que está na PEC 241, já botando na lei, sem passar pelo quórum qualificado que uma PEC exige, o teto dos gastos pela inflação. Isso é o fim de políticas públicas de saúde e educação nos estados”, criticou a deputada.

Segundo a líder, como não houve acordo, a votação da proposta será adiada para a próxima semana. A base aliada, porém, vai tentar votar a urgência da matéria ainda nesta quarta-feira. “Se não forem retirados os artigos que prejudicam os servidores, não haverá acordo para votação”, acrescentou o líder do PT, Afonso Florence (BA)

Antes, os deputados devem se reunir com governadores do Nordeste para discutir o tema. A reunião ainda não tem data definida. Pela proposta acertada com o governo, os estados conseguiram alongar a dívida em 20 anos, reduzindo o valor das parcelas. Os estados e o Distrito Federal terão carência de seis meses nas parcelas até dezembro. A partir de janeiro, as prestações terão descontos, que serão progressivamente reduzidos até julho de 2018. O governo colocou condições para aceitar a renegociação, entre elas a reforma dos regimes jurídicos dos servidores.