Durante as articulações de 2020, à esquerda e à direita, velhas fraturas e o entendimento de que um candidato próprio ao Executivo era fundamental para a performance no Legislativo, onde as coligações passaram a ser proibidas, impediram a formação de grandes blocos em Porto Alegre. Na centro-esquerda, ao invés de uma frente, três candidaturas principais: PCdoB, PSol e PDT. E três (PV, PSTU e PCO) marcando posição.
Na centro-direita, candidaturas do MDB, PSDB, PP, PTB, PSD, Republicanos e Pros resumiam o caminho percorrido após o esfarelamento da coalizão que existira na administração José Fortunati, e que resultara na eleição de Nelson Marchezan Júnior (PSDB) em 2016. E vinham depois de Marchezan, prefeito, manter uma relação de desconfiança com o MDB; romper com o vice, Gustavo Paim (PP), e seu partido; e perder PTB e DEM em meio a disputas por espaços e deferências aos quais siglas e vereadores alinhados eram ‘acostumados’.
Na reta final do primeiro turno, à esquerda, Manuela havia conseguido neutralizar as disputas que caracterizam o partido do vice, o PT. Ultrapassou formações ideológicas mobilizando o eleitorado da Capital que não era petista, mas antigamente votava na sigla, após apostar em uma militância orgânica e engajada, em grande medida formada por jovens e mulheres. Mas, à direita, alavancada por diferenças mínimas entre Sebastião Melo (MDB), Marchezan e José Fortunati (PTB) nas pesquisas de intenção de voto, o candidato não se definia. O jogo se resolveu a favor de Melo na última semana, quando Fortunati desistiu, após uma sucessão de acontecimentos ainda incertos.
Para garantir o engajamento do PTB e de seus candidatos à Câmara à campanha emedebista em um grau que possibilitasse um salto nos índices, a saída foi tentar vincular o número de cadeiras obtidos pelo PTB no Legislativo à ocupação de espaços no primeiro escalão de uma eventual administração do MDB. O PTB pleiteou que isso seja feito na proporção um por um. De público, o staff de Melo nega qualquer negociação. O presidente do PTB da Capital, Everton Braz, também. Segundo ele, o apoio foi incondicional. Junto com a passagem para o segundo turno, já surgiram os primeiros incômodos no partido do vice, o DEM, onde lideranças reconhecem a importância do PTB, mas querem discutir a questão dos espaços sob o argumento de que o DEM foi protagonista na campanha, na vitória e até na desidratação dos rivais. Na eleição para a Câmara, ao final, o PTB foi reduzido à metade (passou das atuais seis cadeiras para três). E o DEM mingou de quatro para uma.