O Correio do Povo dá prosseguimento à publicação das propostas dos candidatos ao governo do Estado sobre temas prioritários aos gaúchos. O tema abordado hoje pelos postulantes ao cargo é a saúde pública, que recebe críticas da população gaúcha há vários governos. Falta de médicos, serviço de emergência congestionado e a demora para marcação de consultas estão entre as principais críticas feitas ao sistema público de saúde.
De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, 5,5 mil novos pacientes acessam mensalmente os serviços em todo o Estado. A situação é delicada tanto na Capital quanto no Interior do Rio Grande do Sul, onde muitas vezes os pacientes precisam se deslocar até Porto Alegre para receber atendimento médico. Veja o que pensam os candidatos ao Palácio Piratini.
Tarso Genro: O nosso governo cumpriu o que manda a lei e, pela primeira vez na história do RS, investiu 12% da receita líquida para melhorar o atendimento da saúde da população. Vamos manter esse compromisso e implementar uma política de gestão integrada do SUS com municípios e gestores privados, além de defender mais recursos federais para a Saúde. Seguiremos ampliando o programa Mais Médicos e daremos continuidade à construção de Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) nos moldes das 19 que já fizemos em várias cidades gaúchas. Também manteremos a política de financiamento dos hospitais que atendem pelo SUS. No segundo mandato, queremos implementar o Programa Saúde Acolhedora, que vai receber o paciente e encaminhá-lo para o serviço ou especialista mais adequado. Também criaremos a Política Estadual de Saúde de Jovens.
Ana Amélia: Cuidar da saúde dos gaúchos é agilizar o atendimento, ampliar e qualificar a prestação de serviços. Não mediremos esforços para garantir o investimento de 12% da receita na área da saúde. Nossas propostas contemplam também a reestruturação da Secretaria Estadual da Saúde para que seja gestora de todo o sistema de saúde estadual e não apenas do SUS. Também agilizando a realização de mutirão para resolver, de forma emergencial, as filas de consultas e cirurgias especializadas, o fortalecimento da atenção básica, garantindo saúde para toda a família, com reforço da Estratégia de Saúde da Família, garantindo uma atenção especial às crianças e aos idosos. O programa Medicamentos Já vai desburocratizar e garantir o acesso aos medicamentos distribuídos pelo Estado. A tecnologia estará a serviço da saúde dos gaúchos, implantando a telemedicina em todos os segmentos dos serviços.
Humberto Carvalho: Em relação à saúde dos servidores públicos: estabelecer os primeiros passos para a recuperação do IPE, que passa por uma independência do Executivo. Nesse sentido, vamos propor que a direção do IPE seja eleita por votação direta dos servidores estaduais. Criaremos postos móveis de saúde para atendimento às famílias da zona rural. Faz-se mister a construção de hospitais regionais, com o aumento do número de leitos. Pretendemos adotar uma medicina preventiva, com visitas regulares e pré-programadas, de médicos e técnicos de saúde, nas residências familiares, especialmente das camadas pobres da população. Em relação à saúde do trabalhador, fiscalizaremos a questão relativa à segurança do trabalho. Aumentaremos as contribuições fiscais, as multas daqueles que não obedecerem às normas de segurança e beneficiaremos aquelas empresas que diminuírem os riscos do trabalho no RS.
José Ivo Sartori: Como governador, não vou ignorar a tarefa do Estado em relação às suas obrigações constitucionais, inclusive quanto ao percentual legal destinado à Saúde. O RS já conta com uma ampla rede de prestação de serviços hospitalares no âmbito do SUS, mas nos deparamos com uma distribuição geográfica bastante desigual e concentrada desses serviços. Para vencermos essa dificuldade, nossa proposta é a regionalização do atendimento, a partir de cidades-polo das macrorregiões de saúde. Queremos também ampliar parcerias com os municípios para elevar a cobertura das ações de atenção básica, tendo como meta estender a Estratégia de Saúde da Família a 100% dos lares até 2018. O sistema público de saúde do RS depende dos hospitais privados e dentre eles, majoritariamente, dos filantrópicos. É necessário que o governo assuma uma complementação de recursos a essas entidades.
Roberto Robaina: Nossa proposta para a área da saúde está centrada na priorização dos recursos da Saúde para a rede pública, a criação da carreira única para médicos e demais profissionais da Saúde e o fim das terceirizações, com ênfase na saúde preventiva. Vamos inverter a lógica atual, que entrega a maior parte dos recursos para o setor privado e trabalhar intensamente pela efetiva universalização do SUS. Defendemos o investimento de 12% das receitas em saúde, como manda a Constituição estadual. E, em nível nacional, a destinação dos 10% do PIB para a área. Nós reconhecemos a importância do atendimento que o Mais Médicos vem oferecendo à população mais necessitada e nos lugares mais distantes. Porém, seu caráter paliativo o impede de resolver o problema pela raiz. Somente uma carreira médica pública poderá solucionar a necessidade de descentralizar e interiorizar o atendimento à população.
Vieira da Cunha: Vamos implantar o programa Saúde Mais Perto das Pessoas, que dotará o Estado de estruturas regionais de saúde adequadas ao atendimento da população do Interior com agilidade, qualidade e resolutividade. Já os hospitais filantrópicos receberão repasse de recursos suficientes para garantir seu regular funcionamento. Também vamos fortalecer a Atenção Básica e implantar equipes de Estratégia de Saúde da Família em todos os municípios. Para resolver a carência de médicos, criaremos uma carreira de Estado para que os jovens médicos vocacionados para a carreira pública possam exercer sua profissão com dignidade. Temos também o compromisso de aplicar no mínimo 12% da receita líquida na Saúde. Por fim, vamos pressionar o governo federal para que aumente seus investimentos na área, pois os graves problemas na saúde pública só serão solucionados com parceria e participação das três esferas.
Edison Estivalete: Para acabar com a ambulancioterapia é necessário criar uma rede de hospitais nos principais polos regionais do Estado. Esses nosocômios serão preparados para atender a todas as especialidades médicas, a fim de que os pacientes não precisem vir até a Capital. Essas casas de saúde serão erguidas onde não houver hospitais, caso contrário será feita parceria com os municípios e universidades, em forma de consórcio, para reforma, ampliação e modernização dos já existentes e que possam compor a rede. É necessário implantar Centrais de Marcações de Consultas, para que as pessoas não precisem dormir nas filas, para conseguir consulta médica ou encaminhar algum exame. Os municípios devem utilizar as verbas do SUS para ampliar e equipar seus postos de saúde. O deslocamento de paciente deve ser realizado, quando não for possível atendê-lo pela complexidade do caso.