Um dia depois de revelar publicamente ter servido de "mula" para intermediar a entrega de um "pacote" em nome do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, o advogado José Yunes afirmou achar que o ministro deve depor em breve aos investigadores da Operação Lava Jato para esclarecer episódio. Yunes, no entanto, descarta que isso seja motivo para o afastamento de Padilha da Casa Civil. "Ele tem que ser ouvido. Você não pode ficar se escondendo atrás da notícia porque isso gera muita especulação", disse ele ao Estado neste sábado.
No fim do ano passado, Yunes prestou um depoimento à Procuradoria-Geral da República para apresentar sua versão sobre as afirmações do ex-executivo da Odebrecht, Claudio Melo, que, em delação premiada, afirmou ter recebido o endereço de seu escritório como indicação para a entrega de R$ 1 milhão. O valor seria, segundo Melo, parte da propina de R$ 10 milhões a ser repassada da construtora para o PMDB durante a campanha de 2014.
O depoimento foi revelado pela Veja na noite da última quinta. Yunes, que pediu demissão do cargo de assessor especial da Presidência logo após a revelação do conteúdo da delação de Melo, disse que deu uma série de entrevistas durante toda esta sexta-feira para esclarecer o episódio. Ele se colocou à disposição, inclusive, para uma eventual acareação com os envolvidos.
O advogado sustenta que, em setembro de 2014, recebeu uma ligação de Padilha lhe pedindo para intermediar o recebimento de um documento em seu escritório, no bairro de Jardim Europa, em São Paulo. O "pacote", segundo ele, lhe foi entregue em mãos pelo doleiro Lúcio Funaro, apontado por investigadores da Lava jato como operador do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.
Yunes afirma desconhecer o conteúdo do "pacote". Diz que apenas o recebeu e deixou no escritório. "Saí para almoçar e uma terceira pessoa passou lá para buscar a encomenda que deixada ali em nome de Funaro".
Yunes disse não saber o motivo do silêncio de Padilha, que não comentou publicamente o assunto. "Acho que ele tem que esclarecer porque ele não tratou comigo de dinheiro nem nada. Foi a entrega de um documento e pronto", disse.
Amigo pessoal há mais de 40 anos do presidente Michel Temer, Yunes disse não ter falado com ele nos últimos dias. E, apesar de considerar que o presidente deve estar "muito aborrecido com essa história", disse não acreditar que ela será suficiente para a derrubada do ministro da Casa Civil.
"Eu acho que não cai. E não deveria cair porque foi um episódio bobo", disse. "Ele é um sujeito muito eficiente. Trabalha, é fiel e muito organizado. É muito útil para o presidente", completou.
Padilha não pode "se esconder" e deve depor na Lava Jato, diz Yunes
Advogado afirmou que serviu como "mula" para intermediar a entrega de um "pacote" em nome do ministro