O ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma) vai depor na tarde desta quinta-feira no inquérito da Operação Omertà, da Polícia Federal. Palocci vai responder todas as perguntas que lhe forem feitas pelos investigadores, afirmou seu advogado, o criminalista José Roberto Batochio. Palocci está "abatido e profundamente indignado", disse o defensor.
Palocci foi preso na segunda-feira, por ordem do juiz federal Sérgio Moro, símbolo da Lava Jato. A Operação Omertà atribui ao ex-ministro recebimento de R$ 128 milhões da Odebrecht, a maior empreiteira do País, sob suspeita de cartel no esquema de corrupção instalado na Petrobras. A maior parte desse montante teria sido destinado ao PT, suspeitam os investigadores. A prisão de Palocci tem caráter temporário, por cinco dias. O juiz Moro pode prorrogar esse prazo ou converter a reclusão em regime preventivo - sem previsão de término.
Promessa de esclarecimentos
Batochio prometeu que o ex-ministro irá responder todas perguntas que serão feitas pelos investigadores e relatou a insatisfação do cliente com a acusação. "Ele está muito indignado com essa falsa acusação", acrescentou.
O experiente criminalista não quis adiantar sua estratégia se, eventualmente, a prisão temporária do ex-ministro virar preventiva. "Astrologia não é comigo, é só com as acusações. Aliás, acusações na base do 'quem sabe', do 'talvez', não são compatíveis com o Estado democrático de direito."
Batochio afirma que a disposição de Palocci em responder os questionamentos da PF não é apenas uma orientação de defesa. "Ele quer responder, ele quer falar, desmontar as falsas acusações que lhe imputam. É necessário que (Palocci) preste depoimento. Ele está convencido disso para que se desfaçaessa mistificação em que se constitui a acusação por presunção, sem nenhum fundamento na realidade", disse o advogado.
Possível habeas corpus
Batochio também não quis adiantar se estuda ingressar com pedido de habeas corpus para derrubar o decreto de prisão expedido por Sérgio Moro. "Prefiro não falar disso." Nessa quarta-feira, o Banco Central informou à Justiça Federal que localizou e bloqueou R$ 30,8 milhões em contas pessoais de Palocci e na empresa dele, a Projeto Consultoria.
"Para quem acha que isso é muito dinheiro, eu respondo claramente: Olhem aí os clientes da empresa (de Palocci), Banco Safra, Banco Itaú, Amil, JBS. Ou seja, é tudo proporcional. Quem ganha um salário mínimo acha que um juiz ou um promotor ganhar 70 mil reais por mês é um escândalo. Esse é o problema. Cada qual no seu quadrado." Também neste tema, Batochio não quis revelar o que planeja. Ele não quis dizer se vai pedir o desbloqueio dos ativos do ex-ministro e da Projeto.
Palocci vai depor nesta quinta-feira na Polícia Federal
Advogado afirmou que ex-ministro responderá a todas perguntas dos investigadores