Política

Para ministros, exumação do corpo de Jango é “momento histórico” do Brasil

Maria do Rosário e José Eduardo Cardozo comandaram audiência pública em São Borja

Audiência pública foi coordenada por ministros
Audiência pública foi coordenada por ministros Foto : Tarsila Pereira
Uma audiência pública em São Borja detalhou as ações para a exumação dos restos mortais do ex-presidente João Goulart, que será realizada no início da manhã desta quarta-feira. A cidade vive clima de expectativa. Cinco barracas foram montadas para abrigar imprensa, familiares e autoridades, que serão separadas por áreas de acesso. Os acessos ao cemitério Jardim da Paz estão impedidos por uma fita de isolamento.

A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, coordenaram a audiência, que ocorreu em um CTG, a uma temperatura superior a 30°C. Ao chegarem no local, eles comentaram classificaram a exumação como um “momento histórico” para o país.

“A verdade histórica precisa ser encontrada para que aquilo que ocorreu naquele período tão triste não se repita. Os trabalhos seguirão essa linha”, comentou Cardoso. O ministro se absteve de comentar se acredita na possibilidade de assassinato.

“Com o processo, busca-se fazer justiça à memória e às reformas de base que ele prometia para o Brasil. É muito significativo que a presidente Dilma Rousseff tenha decidido realizar honras de chefe de Estado”, disse Maria do Rosário. A homenagem será realizada nesta quinta-feira, quando os restos mortais de Jango chegam a Brasília. O ex-presidente Lula foi convidado para participar da cerimônia.

Filho de Jango defende mais investigações

João Vicente Gourlart, filho do ex-presidente, disse que a exumação é apenas um grande passo para esclarecer a verdade, mas não o último. “Nós esperamos que o Ministério Público do Brasil solicite oitivas dos norte-americanos envolvidos em vários assassinatos seletivos dentro do processo dos anos 70 na América Latina.”

A família, que entrou com o pedido de exumação em 2005, acredita na possibilidade de assassinato por envenenamento. “Jango não caiu, quem caiu foi a Constituição brasileira. E quem a derrubou foram as elites associadas com a CIA. Jango era o presidente constitucional do país. Quem deu o golpe foram os militares a serviço do governo norte-americano”, enfatizou Goulart.

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