Política

Para OMS, programas de combate ao Aedes entraram em “colapso”

Diretora da Organização insistiu que emergência global está ligada à pobreza e falta de investimentos

OMS alerta que programas de combate ao Aedes entraram em colapso
OMS alerta que programas de combate ao Aedes entraram em colapso Foto : Marvin Recinos / AFP / CP
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que os programas de combate ao mosquito Aedes aeegypti entraram em "colapso" e que a crise do vírus zika mostra que governos terão de garantir esgotos adequados em favelas. Em um discurso nesta sexta-feira, em Genebra, a diretora da OMS, Margaret Chan, insistiu que a atual emergência global está ligada à pobreza e falta de investimentos.

"A emergência do zika está ilustrando um novo pacote de vulnerabilidades ligadas ao desenvolvimento inadequado da saúde", disse. "Ou seja, um acesso ruim à serviços de saúde sexual e reprodutivo, a falta de água encanada e saneamento em favelas urbanas, além do colapso global dos programas de controle de mosquitos." No Brasil, o ministro da Saúde, Marcelo Castro, declarou em janeiro que o país estava perdendo a guerra contra o mosquito.

Na semana passada, a OMS abandonou sua hesitação em relação ao impacto do zika na má-formação de embriões e declarou que já existe um "forte consenso" sobre a ligação com a microcefalia.

Em novos dados apresentados nesta semana, a entidade aponta que a proliferação continua. No total, casos já foram identificados em 62 países desde 2007. Em seis países, a OMS identificou casos suspeitos de microcefalia em bebês que tiveram suas mães contaminadas pelo vírus. Além do Brasil, os casos suspeitos estão já na Colômbia, Panamá, Cabo Verde, Martinica e Polinésia Francesa.

A OMS admite que ainda não encontrou uma nova forma de lidar com o vetor da doença. Nas últimas semanas, Genebra tem sido palco de uma proliferação de reuniões entre especialistas para tentar identificar novas metodologias, como a de colocar no meio ambiente mosquitos geneticamente modificados.