Os integrantes da CPI da Petrobrás que em 2014 receberam doações de empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato disseram não ter relações com as empresas e que as contribuições às campanhas não vão afetar a apuração do esquema de corrupção. Hugo Motta (PMDB-PB) afirmou desconhecer a doação à sua campanha. "Tenho consciência tranquila de que não há nenhum tipo nem de relacionamento nem de interferência dessas empresas nem no meu comportamento."
Júlio Delgado (PSB-MG) disse que as doações não pautarão sua atuação na CPI. "Minha postura vai ser a mesma com que trabalhei nas outras: desejo de apurar. Nunca tive nem ofereci obras (a empreiteiras). Acho que essas empresas fizeram doação para políticos independentes para demonstrar que querem sair daquilo (esquema de corrupção) de que são vítimas."
O deputado Paulinho da Força (SD-SP) disse não haver "nenhuma possibilidade de constrangimento" por causa das doações recebidas. "Vamos punir quem tiver que ser punido", afirmou. Vicente Cândido (PT-SP) também disse que as doações não o põem em "saia-justa". "Não tenho nenhum compromisso com ninguém, a não ser com a minha consciência e com os princípios e valores que norteiam meu mandato", afirmou Onyx Lorenzoni (DEM-RS).
Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) disse não ter contato com as empreiteiras investigadas. "Senão, não me sentiria à vontade para participar da CPI." Bruno Covas (PSDB-SP) e João Carlos Bacelar (PR-BA) disseram que as doações foram feitas a outros candidatos com quem fizeram dobradinha e, como compartilharam material de campanha, os repasses aparecem em suas prestações de contas.
O Estado não conseguiu contatar os demais deputados. Altineu Côrtes (PR-RJ), Silas Câmara (PSD-AM), Leônidas Cristino (PROS-CE), Rodrigo Martins (PSB-PI) e Ivan Valente (PSOL-SP) já foram confirmados na CPI, mas não declararam em suas prestações de contas doações de empresas investigadas.
Para parlamentares, doação de empreiteiras não terá influência
Deputados de CPI receberam contribuições de empresas