Política

Parcelamento pode afetar serviços de segurança, reconhece secretário

Wantuir Jacini participou da Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa

Secretário de Segurança Pública do RS não garantiu prazo para admissão de concursados
Secretário de Segurança Pública do RS não garantiu prazo para admissão de concursados Foto : Marcos Eifler / Agência ALRS / CP
*Com informações dos repórteres Eduardo Paganella e Álvaro Grohmann

O secretário de Segurança Pública, Wantuir Jacini, participou na manhã desta quinta-feira da Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa (AL) para apresentar um quadro da segurança pública do Estado e responder a perguntas de deputados estaduais e entidades de classe. Questionado se o parcelamento de salários do funcionalismo pode afetar a população, Jacini admitiu o prejuízo. “No momento em que o parcelamento traz uma intranquilidade aos trabalhadores, que não podem hontar seus compromissos particulares, naturalmente que isso vai impactar na sua relação de trabalho e na produção em sociedade", disse.

O secretário afirmou que compreende as mobilizações dos servidores, como é o caso das paralisações, mas lembrou que os serviços essenciais precisam ser mantidos para não trazer prejuízos à população. “Confio na responsabilidade do servidor em proteger a sociedade”, declarou.

Jacini lembrou que a execução do plano e doutrina de sua pasta está atrelada à realidade orçamentária e financeira do governo. “Temos um calendário para chamar os concursados, mas está vinculado à capacidade financeira”, citou como exemplo, concordando com a necessidade de repor o efetivo.

Mesmo com as dificuldades financeiras do atual momento, o secretário estadual da Segurança Pública destacou algumas ações da pasta. Uma delas, salientou, foi a queda do número de ocorrências de 9 dos 11 principais crimes no primeiro semestre deste ano. Apenas roubos em geral e roubos de veículos tiveram alta, sendo que o último exigiria na sua opinião em um combate à receptação sobretudo contra os desmanches irregulares. “Temos mais de 1,5 mil desmanches irregulares no RS”, constatou.

Recordando que 85% dos crimes estão concentrados em 19 cidades gaúchas, Wantuir Jacini anunciou ações futuras como a conclusão do complexo penitenciário de Canoas, as obras em andamento do Centro Regional de Excelência em Perícias, a criação de novas centrais da Polícia Civil, construção de bases comunitárias integradas, conclusão de delegacias e capacitação de pessoal, entre outros. Durante a reunião, ele encaminhou aos deputados ofício que trata de uma série de propostas de alterações legislativas em âmbito nacional para a discussão, como a garantia de financiamento da segurança pública pela União e mudanças na legislação pena.

Entidades de classe criticam governo do Estado


Mesmo apresentando projetos de melhorias em vários segmentos da segurança pública, o secretário Wantuir Jacini foi alvo de críticas de categorias do setor. Conforme o presidente da Associação Beneficente Antônio Mendes Filho (Abamf), que representa cabos e soldados da Brigada Militar, a explanação de Jacini apenas mostrou o que já havia sido dito em outras vezes. O presidente da Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do RS (Ugeirm), Isaac Ortiz, afirmou que o governo não tem uma política de segurança pública, pois não há investimento na área.

“A gente não tem como evitar que a Polícia Civil não pare. Com uma previsão de salário de R$ 620, não tem como motivar os agentes a saírem pra trabalhar. Isso está causando uma revolta muito grande na área da segurança pública, com consequências imprevisíveis”, apontou Ortiz.