O repasse do fundo é formado por recursos públicos e particulares. Do total, 5% é distribuído igualmente entre as siglas e 95% de forma proporcional à votação dos deputados federais na última eleição. Tiririca, que tem mais votos entre eles, conseguiu sozinho R$ 29,9 milhões para o PR na divisão do fundo. Garotinho, o segundo lugar, foi responsável por R$ 15,3 milhões do dinheiro destinado ao PR. Entre os dez mais votados em 2010, apenas quatro tentarão se reeleger, uma média bem abaixo da registrada entre os 513 deputados da Câmara, onde 398, 77% do total, disputarão novo mandato. Os dados são do Diap.
• Candidatos reeditam promessas de 2010
Para o professor de Ciência Política da Pucrj, Ricardo Ismael, abocanhar uma fatia grande do fundo e acumular tempo de propaganda eleitoral na TV ajudam a explicar a existência de candidatos famosos, originalmente não ligados à política, mas que despertam o interesse do eleitor. “O sistema eleitoral proporcional para deputado federal e estadual depende da quantidade de votos. Em cada eleição, você vai ter partidos que vão se valer de pessoas com potencial de voto. São celebridades ou lideranças comunitárias, com mais chances mesmo para entrar, e são mais votados.”
Ismael explica ainda que o fundo normalmente é usado para atividades que fazem parte da rotina administrativa dos partidos. As campanhas são financiadas, principalmente por doações. Professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) Alexandre Gouveia acredita que, nas eleições, o fundo beneficia os candidatos que começam na vida política e são pouco conhecidos, atraindo, assim, poucas doações.