O governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), surpreendeu hoje ao declarar que vai se manter no cargo "por pelo menos mais alguns dias". O governador admitiu que já tem sua carta de renúncia pronta, mas que ouviu apelos e decidiu continuar na função para garantir a governabilidade de Brasília.
Paulo Octávio classificou a atual crise política do Distrito Federal de "pior crise" dos 50 anos de Brasília e que, neste momento, quer ser um "facilitador". "Quero ser parte da solução do problema", afirmou no pronunciamento à imprensa nesta tarde.
O governador em exercício citou o encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta manhã que, segundo ele, o teria recomendado que permanecesse no cargo por mais alguns dias. Paulo Octávio acrescentou que não pretende se candidatar nas próximas eleições.
Assessor diz que Lula não aconselhou Paulo Octávio a ficar
No encontro que teve pela manhã com o governador em exercício do Distrito Federal Paulo Octávio (DEM), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi categórico ao evitar qualquer recomendação para sua permanência no cargo, de acordo com um de seus assessores. "Essa é uma decisão sua, de foro íntimo", disse Lula, negando qualquer apoio a Paulo Octávio, conforme o funcionário. "Não houve nenhum conselho do presidente Lula para o governador em exercício no encontro desta manhã", contou.
Durante a reunião, Paulo Octávio teria dito a Lula que analisava a hipótese de renunciar. Mais cedo, pouco antes de o governador interino fazer o comunicado no Palácio do Buriti de sua permanência seguindo orientação do presidente Lula, o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, divulgou nota afirmando que não cabe ao presidente da República qualquer opinião ou interferência no assunto. Lula, ao ouvir o relato de assessores sobre o pronunciamento de Paulo Octávio, teria demonstrado irritação e comentado que Paulo Octávio teria faltado com a verdade.
Pedidos de impeachment são aceitos
A Procuradoria da Câmara Legislativa do Distrito Federal acatou três dos quatro pedidos de impeachment do governador interino Paulo Octávio (DEM), protocolados na última sexta-feira. De acordo com o parecer, os pedidos atendem os requisitos legais. As informações são de um documento da Câmara a que a Agência Brasil teve acesso. Foram aceitos os pedidos da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF), do Partido dos Trabalhadores no Distrito Federal (PT-DF) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF).
Foi rejeitado o pedido do PSB-DF por falta de um documento de comprovação de eleitor, uma das exigências para fazer o pedido de impeachment, segundo o parecer do procurador-geral substituto da Casa, Fernando Nazaré. Os pedidos aceitos pela procuradoria seguem para a Mesa Diretora da Câmara. O quinto pedido de afastamento de Paulo Octávio foi protocolado hoje pelo PC do B, e ainda deverá passar pelo crivo da procuradoria.
Paulo Octávio surpreende e permanece no cargo
Governador interino do DF admitiu ter redigido carta de renúncia