Política

Paulo Roberto Costa afirma que ex-presidente do PSDB recebeu propina

Informação foi divulgada nos depoimentos da delação premiada do ex-diretor de abastecimento da Petrobras

Paulo Roberto Costa citou propina de Sergio Guerra durante depoimentos da deleção premiada
Paulo Roberto Costa citou propina de Sergio Guerra durante depoimentos da deleção premiada Foto : Geraldo Magela / Agência Senado / CP Memória
O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou em sua delação premiada que em 2009 o então presidente nacional do PSDB senador Sérgio Guerra (PE) - morto em março deste ano - o procurou e cobrou R$ 10 milhões para que a Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras, aberta no Senado em fevereiro daquele ano, fosse encerrada.

O PSDB divulgou nota defendendo que o caso seja investigado. "O PSDB defende que todas as denuncias sejam investigadas com o mesmo rigor, independente da filiação partidária dos envolvidos e dos cargos que ocupam".

Aos investigadores da Operação Lava Jato, Costa disse que os R$ 10 milhões foram pagos em 2010 pela Construtora Queiroz Galvão, citada no caso de superfaturamento e desvios das obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco - iniciada em 2008, ainda inconclusa e com superfaturamento comprovado, segundo o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público Federal.

A Queiroz Galvão faz parte do Consórcio C II Ipojuca Interligações, contratado para uma etapa da Abreu e Lima orçada em R$ 2 bilhões. É a primeira vez que um nome do PSDB aparece no escândalo de corrupção na Petrobras. Parlamentares do PT, do PMDB e do PP também foram citados por Costa.

O ex-diretor declarou que o então presidente do PSDB estava acompanhado do deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE), a quem chamou em seu relato de "operador". Guerra teria sugerido a ele que "tivesse uma conversa" com Armando Ramos Tripodi, que ocupava o cargo de chefe de gabinete do então presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.

Nesta quinta-feira, Tripodi ocupa a gerência executiva de Responsabilidade Social da estatal. Fonte é deputado reeleito e aliado do PSB. Ele é diretamente ligado a Paulo Roberto Costa e foi assessor do ex-senador Severino Cavalcanti (PP-PE). É próximo do senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP.

Costa foi o presidente do Conselho de Administração da Refinaria Abreu e Lima de 2008 a 2012. Sob seu comando, o conselho aprovou R$ 201 milhões em oito aditivos contratuais para empresas investigadas na Operação Lava Jato.

Uma das beneficiadas foi a Queiróz Galvão, por meio do Consórcio C II Ipojuca Interligações (Queiroz Galvão e Iesa Óleo e Gás), que recebeu R$ 200 milhões em uma antecipação de pagamento.

O ex-diretor, que fez delação premiada perante a força tarefa do Ministério Público Federal e agora cumpre prisão em regime domiciliar, declarou que Guerra e Fonte o procuraram na Petrobras e o alertaram que a CPI havia identificado superfaturamento na Abreu e Lima.

Costa afirmou que a empreiteira concretizou o pagamento diretamente para o então presidente do PSDB. Na 14ª reunião da CPI, no dia 17 de dezembro de 2009, foi aprovado o relatório final elaborado pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR). O relatório isentou a estatal. A oposição, que tinha três das 11 cadeiras, alegou falta de capacidade de prosseguir com as investigações. Guerra fez os três últimos requerimentos que ficaram em aberto na CPI, um deles referente à obra da Abreu e Lima.

A CPI foi aberta em julho de 2009 para "irregularidades envolvendo a Petrobras e a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)". Os senadores de oposição, capitaneados por Álvaro Dias (PSDB-PR), apontavam indícios de fraudes nas licitações para reforma de plataformas de exploração de petróleo, irregularidades nos contratos de construção de plataformas e superfaturamento na construção da Abreu e Lima.

Depoimentos

Costa foi preso dia 20 de março, três dias depois que a Polícia Federal deflagrou a Lava Jato. Acuado, na iminência de pegar uma condenação superior a 50 anos de prisão - ele é réu em duas ações penais, uma por ocultação de documentos, outra por corrupção e lavagem de dinheiro da Petrobras -, o ex-diretor decidiu fazer a delação em agosto.

Em uma série de depoimentos a um grupo de seis procuradores da República, ele citou pelo menos 32 parlamentares, entre deputados e senadores, que teriam recebido propinas.