A leitura da mensagem anual do governador Eduardo Leite (PSDB) ao Parlamento gaúcho não revelou qual deverá ser a pauta legislativa do Palácio Piratini no ano. Aos líderes de bancada da base aliada na Assembleia, tampouco antecipou agenda durante o café da manhã que promoveu na sede do governo. Assim, o programa de 2025 do Executivo aos deputados estaduais segue sendo um mistério.
Leite reuniu líderes da base do governo no Palácio Piratini na manhã desta quarta-feira. O encontro durou cerca de meia hora e foi trivial. Segundo relatos, foi um encontro protocolar, para alinhar o discurso da aliança que comanda a política rio-grandense e manter os deputados próximos ao Executivo estadual. O café também estava bom, informaram.
Interlocutores mais próximos da cúpula da gestão entendem que os principais enfrentamentos já foram travados no Legislativo, passado metade do segundo mandato do tucano. O momento, entendem, é muito mais de executar ações que possam melhorar a qualidade dos serviços e fazer cumprir suas promessas de campanha e plano de governo do que do envio que polêmicos projetos para o crivo dos parlamentares.
O alinhamento de discurso também se ateve à questão da reconstrução, que deve seguir sendo a principal pauta do governo do Estado neste 2025. A retomada da pujança econômica, acelerar obras de contenção e proteção contra cheias, recuperar a infraestrutura logística, fazer o desassoreamento das bacias hidrográficas e adaptar os municípios para os eventos climáticos adversos que a emergência climática torna cada vez mais frequentes são as prioridades. A Assembleia também deve ter participação nisso, pois fiscalizar as ações do Executivo também é atribuição dos parlamentares, além de propor e votar projetos de lei.
A oposição, por outro lado, criticou o vazio de informações sobre a agenda legislativa de Leite, que deixou a Assembleia Legislativa sem conceder entrevistas à imprensa após a leitura de sua carta, no plenário 20 de Setembro, aos deputados.
“É um governo sem agenda. Não há nenhuma agenda de futuro. Falar dos investimentos na educação quando as escolas estão paradas, sem ventilador? É um mundo paralelo e fantasioso o do Eduardo Leite. É lamentável chegar no sétimo ano de governo com nenhuma agenda para o meio ambiente. O governador vem aqui e não fala uma linha sobre agenda ambiental”, criticou o deputado Miguel Rossetto (PT), líder da oposição.
“É uma fala fantasiosa insistir com a ideia de equilíbrio fiscal em um estado que só conseguiu resultados por conta de receitas extraordinárias: R$ 9 bilhões de privatizações, não pagou uma parcela da dívida, aumento de impostos e destruição da base salarial dos servidores. Não há nada estável aqui. Dos R$ 1,6 bilhão anunciados de investimento, R$ 1,4 bilhão vem do Funrigs: são recursos federais que ficaram no Estado”, disse ainda.
Na próxima segunda-feira, dia 17, o governador deve se reunir com todos os parlamentares governistas para novo alinhamento. Na terça, 18, deve ser votado o projeto de reajuste salarial para os servidores do magistério.