Política

PDT abre frente contra privatização da CEEE

Partido vai apresentar alternativas que passam pela manutenção da companhia sob controle do Estado

Possibilidade de privatização da CEEE abriu enfrentamento na base aliada
Possibilidade de privatização da CEEE abriu enfrentamento na base aliada Foto : Fernando Vieira / CEEE / Divulgação / CP
A possibilidade de privatização da CEEE Distribuição (CEEE-D) abriu um enfrentamento na base aliada do governador José Ivo Sartori (PMDB). O PDT, considerado o segundo partido mais importante da base, por possuir o mesmo número de deputados do PMDB (8) na Assembleia Legislativa, pretende lançar nesta sexta-feira um documento público contra a alternativa de privatização de parte da companhia. No documento, são apresentados números e apontadas alternativas de enfrentamento da crise financeira que passam pela manutenção da CEEE sob o controle do Estado.

Os dados disponibilizados na bancada da sigla indicam, por exemplo, que o aumento da tarifa de energia elétrica já em vigor gerará pelo menos R$ 600 milhões de incremento no ICMS do Estado em 2015 e que entre PIS, Cofins e ICMS, a companhia arrecada mais de R$ 2 bilhões/ano. No cálculo não está contabilizado o novo aumento da tarifa, previsto para outubro. Os pedetistas prometem judicializar a questão caso o governo encaminhe, mesmo que indiretamente, a alternativa da privatização.

O PDT decidiu fazer uma ofensiva em bloco. Além do manifesto, na próxima semana o líder do partido na Assembleia, deputado Enio Bacci (PDT), vai apresentar um projeto de lei, provavelmente em regime de urgência, para garantir que o Estado cumpra com suas obrigações perante a União e mantenha a concessão da CEEE Distribuição. E hoje a sigla lidera em Porto Alegre a audiência da Frente Parlamentar em Defesa da Renovação de Concessões no Setor Público de Energia Elétrica, presidida pelo deputado federal Pompeo de Mattos, que também preside o PDT do RS. A audiência terá a participação da Frente idêntica do Legislativo gaúcho, comandada pelo pedetista Ciro Simoni, e de pelo menos 14 entidades de classe vinculadas ao setor.

A atuação em diferentes frentes ocorre em função da postura adotada pelo Executivo a respeito da renovação da concessão da União para CEEE-D, cujo prazo expira na próxima semana, em 7 de julho. As lideranças trabalhistas avaliam que ao não prever recursos para a companhia, o Executivo dá indicativo de privatização, uma vez que a renovação da concessão está vinculada ao cumprimento do contrato com a Aneel. E o contrato estabelece que os sócios controladores (no caso o Estado) devem aportar capital suficiente para atender a condição de sustentabilidade mínima da companhia. Não há, contudo, esta previsão no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016 apresentado pelo governo.

Se cumprir todos os requisitos, o Estado assina a renovação até o final de julho. Mas, caso não atenda às exigências, a União pode decidir por licitar a distribuição. O PDT recebeu do líder do governo na Assembleia, deputado Alexandre Postal (PMDB), a garantia de que o Executivo vai encaminhar um projeto de lei garantindo o cumprimento das exigências. Em reunião com a base aliada, o secretário do Planejamento, Cristiano Tatsch, prometeu incluir as garantias no Plano Plurianual (PPA). A discussão, contudo, só ocorre em agosto, após o vencimento do prazo. E o projeto do Executivo não tem prazo para chegar à Assembleia. Ao mesmo tempo, a proposta de emenda feita por Bacci ao projeto da LDO, estabelecendo a garantia de recursos, de forma a cumprir as obrigações junto a União e prorrogar a concessão, não foi aceita, aumentando a insegurança dos pedetistas.

“O que tem valor na CEEE é a concessão. Se perdê-la, o Estado ficará só com o passivo da CEEE, que hoje está próximo dos R$ 3 bilhões. Então, se quiser discutir no futuro privatização, vendendo a concessão, nos moldes do que fez o ex-governador Antônio Britto, o Estado precisa primeiro renovar a concessão. Não fazer isso é ficar apenas com o prejuízo”, explica Simoni.

Entre outros pontos, o PDT está propondo a alienação de bens imóveis não vinculados à concessão e a alienação das participações minoritárias da CEEE-GT em sociedades de propósito específico e consórcios. Cobiçada no mercado, a CEEE-D integra o grupo CEEE, que inclui ainda a Holding CEEE-Par e a parte de geração e transmissão (CEEE-GT) e está avaliado em cerca de R$ 5 bilhões.