Política

PDT ameaça romper com governo em caso de venda da CEEE

Em manifesto, partido pediu ao governador “CEEE fortalecida”

PDT mantém frente contra venda da CEEE
PDT mantém frente contra venda da CEEE Foto : Mateus Bruxel / CP Memória
O PDT vai romper com o governo caso a CEEE seja incluída na lista de privatizações do Executivo. A posição foi confirmada nesta sexta-feira por deputados pedetistas a entidades do setor em audiência da Frente em Defesa da Renovação de Concessões no Setor de Energia Elétrica, no Sindicato dos Engenheiros.

Na audiência foi revelado o manifesto entregue pelo PDT ao governador José Ivo Sartori. Intitulado “Manifesto do PDT ao governador Sartori em defesa da CEEE pública e fortalecida”, o documento lista alternativas para manter a concessão da CEEE Distribuição. É assinado pelo presidente do PDT, deputado Pompeo de Mattos, pelos líderes da bancada e partidário na Assembleia, Eduardo Loureiro e Enio Bacci, e pela deputada Juliana Brizola.

“Não queremos entrar em choque, mas não vamos concordar com a privatização. Há campanha para dizer que a CEEE é um peso. Se é assim, por que tantos querem comprar?”, questiona Pompeo. “Todos sabem que quando se fala em venda, não se trata da Cesa e da Corag, mas sim das empresas que realmente interessam ao setor privado”, completa Bacci. “Se o PDT e o governo discordarem agora, isso abre atrito que no futuro nos levará a ser contra outras coisas, e que pode até levar a um rompimento”, admite ele.

No PDT, o entendimento é de que a pressão sobre o governo pela privatização da CEEE se deve a uma série de fatores. Entre eles está, no caso da CEEE-GT, o domínio de linhas de transmissão em todo o RS, que incluem o cabeamento de redes de fibra ótica. E, no caso da CEEE-D, o controle sobre os postes onde está o sistema de TV a cabo.

Já os fatores “macro” abarcam um cenário nacional onde 12 empresas sob controle público respondem por 91% do mercado físico de distribuição de energia enquanto 30 privadas almejam dividi-lo entre três ou quatro grandes “players”. A mesma lógica vale para o mercado de geração e transmissão, onde as empresas sob controle público ainda respondem por 60%.