O deputado estadual Gilmar Sossella (PDT) não vai sofrer nenhuma punição interna no partido após a decisão da Justiça Eleitoral gaúcha que cassou o seu mandato nessa terça-feira. A garantia foi dada nesta quarta pelo presidente estadual da sigla, Pompeo de Mattos, que considera injusta a decisão por cinco votos a um do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS), que entendeu que Sossella cometeu captação ilícita de recursos e abuso de poder político.
Pompeo garantiu também que o partido vai proteger Sossella mesmo que o colega de partido seja condenado em última instância. “Não tenho dúvida (de que ele não vai sofrer nenhuma punição pelo partido). Porque a leitura da figura, do comportamento, da ética, do respeito, da moralidade do deputado Sossella dentro do PDT é irretocável. Essa é a visão. Os companheiros todos estão consternados com a injustiça que está sendo cometida na Justiça Eleitoral do Rio Grande do Sul, então nós não iríamos cometer uma outra injustiça”, afirmou Pompeo.
Ainda segundo o dirigente maior da sigla no Estado, as denúncias contra Sossella se devem ao fato do deputado, enquanto presidente da Assembleia Legislativa gaúcha, ter implantado o ponto eletrônico.
“Nós temos uma leitura bem clara desse processo. Ele mexeu com muitas forças dentro da Assembleia. Foi o único deputado que teve coragem como presidente de implantar o ponto eletrônico, então ele mexeu com muitos interesses. Daí a razão de ele estar pagando esse preço. O PDT será seu guardião em todos os momentos”, finalizou Pompeo.
Sossella, que presidiu a Assembleia entre 2014-2015, foi condenado após denúncias de que teria pressionado servidores da Casa a comprar convites para um churrasco de arrecadação de dinheiro para sua campanha. Na decisão, os desembargadores ainda imputaram uma multa de R$ 10 mil ao deputado, que fica inelegível por oito anos. Além do ex-presidente do Legislativo, também foi condenado o ex-superintendente da Casa, Artur Souto, ficando inelegível pelo mesmo período e devendo pagar multa semelhante.
Sossella, por sua vez, voltou a se defender das acusações, dizendo não ter cometido ilicitudes e negando ter pressionado os servidores. O principal argumento dos recursos, segundo o deputado, será o voto do relator do caso, desembargador Luiz Felipe Brasil Santos, que condenou Sossella pelos mesmos atos, mas não foi favorável à cassação do mandato.
Assim que a decisão for publicada no Diário Oficial, o que deve ocorrer até o fim desta semana, o advogado de Sossella garantiu que vai ingressar com um embargo declaratório, no TRE, e com um recurso especial no mesmo tribunal, mas visando a uma reavaliação do caso pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O deputado disse ainda que seguirá trabalhando enquanto os recursos não forem julgados.
PDT descarta punição a Sossella após cassação de mandato
Presidente da sigla, Pompeo de Mattos, afirmou que deputado sofreu uma injustiça