PDT nega que partido deixará governo se Lupi cair

PDT nega que partido deixará governo se Lupi cair

Ministro do Trabalho disse que assunto está superado

AE e Agência Brasil

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O presidente nacional em exercício do PDT, deputado André Figueiredo (CE), negou hoje que o partido deixará a base aliada do governo Dilma Rousseff caso o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, se afaste do cargo em meio a acusações de corrupção na pasta. A declaração, feita nesta manhã em entrevista à rádio Estadão/ESPN, expõe uma divisão entre os pedetistas. Ontem, em Brasília, o líder do partido na Câmara, Giovanni Queiroz (PA), havia dito: "Caso o ministro Lupi saia, o PDT também sai do governo."

De acordo com Figueiredo, as manifestações a respeito da saída do partido da base aliada foram mal interpretadas e o que a bancada quis dizer é que, caso Lupi deixe o ministério, a legenda não necessariamente indicaria um outro nome para ocupar o cargo.

O presidente da sigla disse que o PDT seguirá firme na base aliada enquanto puder contribuir com as ações governamentais voltadas para geração de emprego e renda. No entanto, explicou que, se Lupi for afastado, o PDT não entraria na discussão do nome de um novo ministro para ocupar a pasta. "O governo ficaria muito à vontade para indicar o Ministério do Trabalho a outro partido da base aliada", afirmou. "O partido continuaria na base da presidenta Dilma, mas não necessariamente brigando ou indicando cargos."

Segundo o deputado, Lupi tem "total e irrestrito" apoio do PDT e a sigla defende o aprofundamento das investigações das denúncias sobre assinaturas de convênios com organizações não-governamentais (ONGs) de fachada e cobrança de propina dessas entidades. "Tanto que o partido deve entrar hoje, na Procuradoria-Geral da República e na Polícia Federal, com pedido para saber qual é o grau de envolvimento do partido nessa história, que, eu posso afirmar, não há", disse.

Assunto está superado, diz Lupi

Ao comentar as denúncias, Lupi disse nesta quarta que o assunto está superado e que todos os esclarecimentos já foram prestados ao seu partido, o PDT, e à imprensa. “A gente já deu as respostas que tinha que dar, apresentou os documentos, o procurador-geral da República já se pronunciou. Agora, estou aqui para trabalhar”, explicou, na abertura do encontro sobre estratégia de inclusão produtiva urbana do Programa Brasil sem Miséria.

Lupi reafirmou que a equipe que trabalha com ele não cobra propina em nome do partido, mas lembrou que o ministério conta com cerca de 10 mil funcionários. “Não posso impedir que alguém do vigésimo escalão, na ponta, tenha feito alguma coisa errada. Se tiver feito, cadeia para o corrupto e para o corruptor”, disse.

O ministro voltou a classificar a denúncia como vazia e irresponsável e pediu que sejam apresentadas provas relacionadas a supostos pagamentos de propina que envolvam o seu nome. “É um instrumento dos covardes, que se escondem atrás do anonimato. Gostaria de desafiá-los a apresentar.”

Sobre o relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) que apontou a existência de contratos sem fiscalização no ministério, Lupi argumentou que 186 deles, na realidade, não foram disponibilizados no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). “O Brasil está dando certo. Muita gente não se conforma com isso e quer inventar muita coisa. Mas estamos com a consciência tranquila”, disse. Perguntado se poderia ser a bola da vez, diante da sucessão de demissões de ministros nos últimos meses, Lupi respondeu: “Só se for a bola sete, que é a bola que dá a vitória”.


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