Nesse domingo, Carlos Lupi deixou o comando do ministério depois de várias denúncias de corrupção envolvendo seu nome. Para o senador, a demora em abandonar o cargo causou um desgaste para o partido e pode resultar em prejuízos nas eleições municipais de 2012.
Buarque defende que o substituto de Lupi não seja um pedetista. “Eu sempre fui contra a entrada no ministério. Nós temos que aproveitar esse momento (exoneração do político) e reconstruir esse partido, mas isso só é possível fora do governo”, declarou.
“Podemos ficar em uma posição independente e começar a ter uma identidade própria que o PDT não tem. Não temos propostas nossas”, explicou. Segundo o senador, 100% da personalidade da legenda foi perdida, “mas ela está no subterrâneo do partido. É só querer que ela volta”.
Para o político, uma das peças que pode colaborar com a retomada de confiança no PDT é o prefeito da Capital, José Fortunati. “Ele tem uma bela trajetória e pode ser um dos elementos-chave, porque Porto Alegre é a cidade mais importante, onde temos candidato viável”, disse.
Exoneração
Carlos Lupi apresentou seu pedido de exoneração do cargo à presidente Dilma Rousseff em reunião realizada nesse domingo. Ele estava sob forte pressão nas últimas semanas, após denúncias sobre um suposto esquema de favorecimento e cobrança de propinas no Ministério do Trabalho.
O político alegou que a "perseguição política" e o "ódio das forças reacionárias" tornaram sua presença no cargo insustentável. Conforme nota oficial do ex-ministro, ele deixa a função para que não haja contaminação do resto do governo através de "denúncias sem provas às quais não teve direito de defesa".
Lupi foi apontado por suposto uso irregular de um jatinho alugado pelo empresário Adair Meira, durante viagem ao Maranhão. O empresário é responsável por organizações não governamentais que mantêm convênio com o Ministério do Trabalho.
A Câmara dos Deputados analisou o acúmulo de funções por parte do ministro. Por quase cinco anos, ele teria ocupado dois cargos de assessor parlamentar em órgãos públicos – na Câmara dos Deputados, em Brasília, e na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.