No âmbito nacional, por enquanto, o PDT aposta em candidaturas próprias nas disputas estaduais no Rio Grande do Sul, no Mato Grosso e no Distrito Federal. "Talvez no Rio de Janeiro e em São Paulo, e quem sabe Alagoas e Amazonas, mas o partido não terá um grande número de candidatos a governador", avalia Bolzan. Regionalmente, o anúncio de uma candidatura própria ao Piratini, a do deputado federal Vieira da Cunha, rompe a coligação com o PT no Estado e impede aproximação com o PMDB, que também pretende lançar candidato. Tratativas com o PTB, que tem o objetivo de permanecer no atual governo, são descartadas. As questões nacionais travam uma coligação com o PSB. "Enquanto o quadro do PSB não clarear, não temos motivos para dar prosseguimento a conversações aqui", resume Bolzan.
Os pedetistas atribuem a interrupção nas negociações às mudanças ocorridas após o ingresso de Marina Silva no PSB, mas ela se deve também ao fato de se fortalecer dentro do PDT a tese do apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff, inclusive entre gaúchos que são contrários à união com o PT para a eleição estadual, caso do prefeito José Fortunati e de trabalhistas históricos como o ex-governador Alceu Collares. Sem alternativas entre os aliados tradicionais, o PDT começou a conversar no Estado com Dem, PPS e PSD. As conversas, contudo, são rechaçadas por parte dos pedetistas.
Candidatura própria divide sigla
A tese da candidatura própria ao governo gaúcho foi maioria nos encontros regionais do PDT e deve ser ratificada, tendo como pré-candidato o deputado Vieira da Cunha, na pré-convenção do PDT em 7 de dezembro. Além de candidato ao Piratini, o grupo liderado por Vieira defende a saída da sigla do governo da presidente Dilma Rousseff e o lançamento de candidato próprio à Presidência. O PDT nacional só decide em março, após a reforma ministerial que Dilma fará no final de 2013, se apoiará a reeleição da presidente.
O grupo de pedetistas que defende a manutenção da aliança com o PT ocupa funções de destaque na administração Tarso Genro. Seu argumento é de que o PDT não tem motivos para abandonar Dilma. No RS, sua avaliação é de que Vieira não alcançará a densidade eleitoral necessária para a disputa, ao mesmo tempo em que a candidatura própria resultará na perda de espaço no cenário político. O PDT é hoje, em importância e em números, o segundo maior partido do governo estadual. Comanda as secretarias da Saúde, dos Esportes e do Gabinete dos Prefeitos, diretorias no Banrisul, na Corsan e na Corag, e detém centenas de cargos em comissão. Para manter a aliança, Tarso ofereceu a vaga de vice na chapa de 2014 e o espaço deixado pelo ex-aliado PSB.
"É nula a possibilidade de mantermos a aliança. Temos que sair do governo assim que oficializarmos que teremos candidato, na pré-convenção", defende o vice-líder da bancada pedetista na Assembleia, Gilmar Sossella. "No atual governo, temos a principal área de liberação de recursos, a Saúde, uma importante área de articulação, o Gabinete dos Prefeitos, e preparamos a Copa do Mundo. Vamos abrir mão disso por uma disputa paroquial", rebate o titular do Gabinete dos Prefeitos, Afonso Motta, que representa o grupo pró-PT.