Política

PDT vai rediscutir relação com Sartori

Integrantes do partido se reúnem com governador depois do Carnaval

Para Pompeo momento é de angústia
Para Pompeo momento é de angústia Foto : André Ávila / CP Memória
Descontentes com a forma como o partido está sendo incorporado ao governo de José Ivo Sartori, integrantes do PDT solicitaram uma audiência com o governador para rediscutir os termos da relação. O encontro dos pedetistas com Sartori ocorrerá na quarta-feira de Cinzas, às 16h30min, no Palácio Piratini, e será precedido por debate interno da bancada trabalhista. Deputados e dirigentes do PDT definirão o comportamento a ser adotado na reunião com o governador e diante dos projetos encaminhados por ele à Assembleia.

O trato que une Sartori e o PDT se alicerça na troca de apoio da bancada pela participação efetiva no núcleo do poder. Em suas declarações no período de consolidação desta relação, o presidente estadual do PDT, Pompeo de Mattos, avaliava que o crescimento da bancada, de sete para oito deputados, garantiria ao partido uma posição de protagonismo junto ao governo. Na última semana, o discurso de Pompeo carrega menos entusiasmo. “Estamos vivendo um momento de angústia, mas também de esperança por diálogo”, disse. 

Embora digam não atribuir prioridade a cargos para a manutenção da aliança, os pedetistas reconhecem a decepção gerada pelo descarte por Sartori do suplente de deputado Vinícius Ribeiro (PDT), que era ofertado pela sigla para ser o diretor-geral do Detran gaúcho. “Vinícius é um quadro técnico altamente qualificado para o cargo, arquiteto e engenheiro de trânsito, com experiência política adquirida como parlamentar da última legislatura. Não se trata de cargos, mas de espaço para que o PDT seja protagonista das políticas públicas”, afirma o líder da bancada, deputado Dr. Basegio. O desgaste desencadeado com a perda do Detran ficou mais evidente quando o PDT recusou a direção da Companhia Rio-grandense de Artes Gráficas (Corag) para Vinícius. “A Corag não contempla nosso desejo. O próprio Vinícius recusou por não ser a especialidade dele”, resume Dr. Basegio.

O impacto dessa insatisfação, que deverá aquecer as discussões na quarta-feira, é manifestado dentro da Assembleia. Ao ser questionado sobre a incerteza em relação às medidas que serão encaminhadas pelo Piratini, o líder do partido, deputado Enio Bacci, alerta: “Estamos comprometidos em apoiar os projetos do governo, mas não podemos permitir nada que venha a ferir os princípios defendidos pelo PDT”. Nos bastidores, há um estremecimento nas relações internas do próprio PDT. Segundo integrantes do partido, existem duas frentes de negociação. “Uma ocorre entre a executiva e o governo Sartori. Outra, entre a executiva e a bancada. O conteúdo dos discursos não tem sido o mesmo para as duas”, adverte um trabalhista.