Política

Pedaladas fiscais foram usadas por outros governos, diz Pimenta

Deputado gaúcho acredita que PT vai demonstrar que procedimento era natural

Pedaladas fiscais foram usadas por outros governos, diz Pimenta
Pedaladas fiscais foram usadas por outros governos, diz Pimenta Foto : Gilmar Felix / Câmara dos Deputados / Divulgação / CP
O integrante da Comissão Mista de Orçamento do Congresso, deputado federal Paulo Pimenta (PT), crê que a análise das contas da presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional será uma boa oportunidade para o governo explicar por que utilizou as pedaladas fiscais. Segundo Pimenta, a utilização da estratégia ocorreu com a maioria dos governos anteriores e o Tribunal de Conta do União sempre considerou regular.

“Há um regimento que precisa ser cumprido. Por ele, a data para dar início na comissão seria depois do dia 26 de dezembro. Nós temos ainda seis contas de ex-presidentes que não foram analisadas na comissão, temos a votação da LDO, a votação do orçamento, além de outros temas importantes (para serem votadas). Há poucos dias estávamos analisando as contas do Itamar Franco. Tanto o Tribunal de Contas da União (TCU) como a Comissão de Orçamento, ao longo de todos esses anos, consideraram, digamos assim, quase como um aspecto homologatório a análise destas contas”, declarou Pimenta em entrevista à Rádio Guaíba nesta sexta-feira.

“Queremos discutir o assunto para as pessoas entenderem o que são as chamadas pedaladas fiscais. Queremos demonstrar que era um procedimento absolutamente natural que foi utilizado pelos governos que nos procederam. Que não há intenção de dolo”, completou.

Para o integrante da comissão, os principais programas sociais do país não poderiam sofrer interrupções e, como as pedalas ficais ocorriam normalmente nas últimas décadas, a opção foi por continuar a usar a estratégia de governos anteriores. “Entendemos que seria um erro atrasar o pagamento da bolsa família e dos aposentados. Então, o governo optou por pagar um juro para a Caixa Econômica Federal. Um juro, inclusive, mais barato do que pagaria no mercado financeiro se fosse pagar um empréstimo para isso. Se, a partir de agora, o TCU entende que esse procedimento deve ser modificado, muito bem, mas a análise não pode ser retroativa. Até então, sempre que o procedimento foi adotado, o Tribunal não considerou ele irregular”, afirmou o deputado.

Pimenta ainda lamentou que os ministros do TCU não tenham citado em nenhum momento dos 19 minutos de julgamento pelo menos parte da argumentação da defesa. Ele criticou o ministro Augusto Nardes por ter percorrido o Brasil por “90 dias anunciando que votaria pela rejeição das contas, antes mesmo do governo apresentar a defesa”. E lembrou que no Congresso Nacional, o governo e a base poderão discutir melhor as “pedaladas fiscais”.