Política

Pedido de impeachment de Sartori fecha um mês aguardando análise

Presidente da Assembleia Legislativa terá que decidir se dará continuidade ao recurso

Pedido de impeachment de Sartori fecha um mês aguardando análise
Pedido de impeachment de Sartori fecha um mês aguardando análise Foto : Mauro Schaefer / CP Memória
O procurador-geral da Assembleia Legislativa, Fernando Ferreira, afirmou nesta quinta-feira que não tem condições de prever quando concluirá a análise jurídica do pedido de impeachment contra o governador José Ivo Sartori (PMDB). Apesar de não dar prazo para realização do trabalho, Ferreira voltou a dizer que pretende entregar o relatório “o quanto antes”.

O atual pedido de impeachment foi entregue à Assembleia Legislativa há exatamente um mês pelo Cpers, sindicato que representa os professores da rede estadual. “Tenho que ser bem sincero. Até iniciei a análise, mas depois daqueles assuntos do plebiscito e até, infelizmente, dessa situação constrangedora da prisão do deputado Jeferson me tirou o foco do exame do pedido do Cpers, mas a minha intenção é, o quanto antes, retomar esse exame. Evito dar prazo”, afirmou Ferreira.

A análise é a primeira etapa do recebimento de um pedido de impeachment, anterior a sua tramitação na Assembleia. Ferreira já destacou que se trata de uma verificação estritamente formal dos documentos, sem atenção ao mérito. Questões como reconhecimento de firma em cartório e descrição objetiva dos fatos que motivam o impeachment estão entre os pontos da análise.

Se o pedido cumprir as análises formais, caberá ao presidente da Assembleia, Edegar Pretto (PT), dar ou não prosseguimento. A etapa seguinte é de formação de uma comissão especial, composta por deputados de todos os partidos representados na Casa para análise. Caso o pedido avance pelas comissões internas e chegue à análise final, caberá a um colegiado composto por cinco deputados e cinco desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado dar o veredito sobre o governador.

Politicamente, Sartori tem maioria na Assembleia, o que reduz as chances de evolução da tramitação do pedido.

Pedido do Cpers

Em 22 de maio, o Cpers protocolou o pedido de impeachment, embasada no atraso de salários do funcionalismo, no parcelamento do 13º do ano passado e nas denúncias de que Sartori teria recebido propina oriunda da JBS, montante que seria de R$ 1,5 milhão. Conforme a delação de Ricardo Saud, um dos diretores da JBS, a campanha de Sartori recebeu os recursos com a intercessão do então candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves.

O primeiro pedido do Cpers contra Sartori foi arquivado no início do ano, pela então presidente da Casa, Silvana Covatti (PP). O parecer jurídico da Procuradoria-Geral indicou que não havia subsídios suficientes para a destituição do chefe do Executivo.