Política

Pedido de vista adia, de novo, início do processo contra Cunha

Relator Marcos Rogério (PDT-RO) apresentou parecer pela admissibilidade da representação

Pedido de vista adia, de novo, início do processo contra Cunha
Pedido de vista adia, de novo, início do processo contra Cunha Foto : Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados
O pedido de vista foi apresentado pelo deputado Wellington Roberto (PR-PB) e teve o apoio do petista Zé Geraldo (PT-PA). Como o relatório preliminar só poderá ser votado em dois dias úteis, a próxima reunião do colegiado, agendada para a próxima terça-feira, será destinada aos debates.

No novo parecer, Rogério rechaçou o apelo da defesa do peemedebista, que pedia 10 dias de prazo para manifestação. Ele explicou que o regimento interno prevê que a defesa se apresente apenas após a votação da admissibilidade.

O relator acolheu o aditamento à representação feito pelo PSOL e Rede pedindo a investigação da denúncia de que Cunha teria cinco contas ocultas no exterior. Rogério alegou que pode receber novos documentos porque a junção não ocorre na fase de instrução processual.

O Conselho foi obrigado a voltar à fase da discussão da admissibilidade da ação disciplinar após deferimento de recurso pelo vice-presidente da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA). Aliado de Cunha, Maranhão atendeu a um recurso do peemedebista Carlos Marun (MS) e anulou a votação anterior do parecer prévio.

Durante sua participação na sessão, o advogado Marcelo Nobre insistiu que seu cliente é vítima de cerceamento de defesa e reclamou de ilegalidades constantes no trâmite processual. "Um processo aberto já é uma punição e Vossas Excelências estão abrindo um precedente", apelou.

Nobre voltou a repetir que o processo é "natimorto", que delação premiada não é prova e que o peemedebista não mentiu a CPI da Petrobrás no ano passado quando negou contas ocultas no exterior.

Uma questão de ordem apresentada pela "tropa de choque" de Cunha pode levar futuramente o presidente do colegiado, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), a ser afastado dos trabalhos. Além de pedir vista, o deputado Wellington Roberto fez uma questão de ordem durante a sessão apontando a suspeição de Araújo.

Wellington não explicou o motivo do pedido e nem o que pretende com ação. O ex-relator do processo contra Cunha, Fausto Pinato (PRB-SP), se revoltou com a tentativa de manobra.

"O senhor está prestes a ser afastado", protestou o parlamentar, acusando o grupo de Cunha de agir para procrastinar o andamento do processo.

Nesta quinta-feira, Araújo pretende encaminhar ao Supremo Tribunal Federal um mandado de segurança para garantir o funcionamento de forma autônoma e independente do grupo no processo contra o presidente da Casa. Próximo a Cunha, Marun pediu para que Araújo desista do recurso à Corte. "É desnecessário."