"É um dado estarrecedor, segundo informa o sindicato. A EPTC anula autos de infração. Isso representa para nós um grau de irresponsabilidade criminosa", criticou Ruas. "Isso deverá se encaminhado ao Ministério Público e também apurado numa CPI", enfatizou o vereador. Além da bancada do PSOL, os parlamentares João Derly e Juçara Cony (PCdoB), e Cláudio Janta (SDD) garantiram assinatura para abrir CPI. Ruas busca a confirmação da bancada do PT, com cinco parlamentares, para concretizar a comissão.
No dia 16 de julho de 2013, motivado pelo crescente número de atropelamentos com morte - nove vítimas em sete meses -, o Sintran pediu explicações à EPTC sobre os autos de infração não efetivados. No dia 26 do mesmo mês, ofício assinado pelo diretor administrativo-financeiro da EPTC, Pedro Luís Moreira, respondeu que a operação “era em caráter de teste, como já ocorreram outras vezes”.
A velocidade nos corredores de ônibus da Capital não pode exceder os 30 km/h. Acima dos 60 km/h, a carteira de habilitação do motorista é suspensa - e o servidor acaba sendo demitido da concessionária. O vice-presidente do Sintran, Pablo Fernandes, acusa como comum a prática de deletar infrações de ônibus do sistema da EPTC. “Eles deletam toda e qualquer infração de excesso de velocidade. Não tenho como provar que aconteceu outras vezes”, contou. Segundo Fernandes, se os veículos que mataram as duas ciclistas ontem estivessem a 30 km/h, os acidentes não teriam sido fatais. “O número de multas é inversamente proporcional ao número de acidentes”, apontou.
A EPTC comunicou que, nos últimos três anos, mais de 7 mil multas foram aplicadas às empresas de ônibus - 541 por excesso de velocidade em corredores, só em 2013. Os valores das multas variam de R$ 127,69 (infração média) a R$ 574,62 (gravíssima). Sobre as 30 infrações observadas em 18 de abril de 2013, o presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, disse que naquele dia estava sendo desenvolvido um estudo técnico.