Política

Pelo menos cinco deputados gaúchos não assinaram a CPMI do Cachoeira

Congresso divulgou a lista de parlamentares que referendaram o requerimento

O Congresso Nacional divulgou, na noite desta sexta-feira, a lista dos parlamentares que assinaram o requerimento de criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que vai investigar as relações de agentes públicos e privados com o contraventor Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira. Ao todo, 396 deputados e 72 senadores assinaram o documento. Pelo menos cinco deputados federais gaúchos não subscreveram o pedido: José Otávio Germano (PP), José Stédile (PSB), Ronaldo Nogueira (PTB), Sérgio Moraes (PTB) e Vilson Covatti (PP).

Em entrevista à Rádio Guaíba, o deputado Nogueira justificou que a comissão pode atrapalhar os trabalhos do Ministério Público e da Polícia Federal: "Nesse caso, já existe investigação na Polícia Federal, inclusive com a identificação das pessoas. Quanto aos parlamentares envolvidos, acredito que a Comissão de Ética poderia inquirir um processo e encaminhar para punição aqueles que fossem identificados com algum envolvimento com o crime praticado por Carlinhos Cachoeira". 

O parlamentar José Stédile alegou que estava em licença-paternidade quando foram colhidas as assinaturas. "Assinei a CPI sim, mas depois ela foi transformada em CPI mista, entre o Senado e o Congresso. Nesse período, estava com minha família e não pude assinar. No pedido original, fui um dos primeiro a assinar." Já Vilson Covatti disse que não assinou por um desencontro. Segundo ele, os parlamentares, quando tiveram o número necessário para a criação da CPMI, não procuraram os demais deputados interessados. Os outros dois não foram localizados pela reportagem.

Também gaúcho, o presidente da Câmara Federal, Marco Maia, não assinou o requerimento alegando ocupar cargo de liderança. Fizeram o mesmo o líder do governo Arlindo Chinaglia (PT-SP), o presidente do Conselho de Ética da Câmara, José Carlos Araújo (PSD-BA) e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). 

Veja, abaixo, a lista, em ordem alfabética, dos parlamentares do Rio Grande do Sul que concordaram com a investigação:

Deputados federais gaúchos que assinaram o requerimento

1. Afonso Hamm PP-RS
2. Alceu Moreira PMDB-RS
3. Alexandre Roso PSB-RS
4. Assis Melo PCdoB-RS
5. Elvino Bohn Gass PT-RS
6. Danrlei De Deus Hinterholz PSD-RS
7. Darcísio Perondi PMDB-RS
8. Eliseu Padilha PMDB-RS
9. Enio Bacci PDT-RS
10. Fernando Marroni PT-RS
11. Giovani Cherini PDT-RS
12. Henrique Fontana PT-RS
13. Jerônimo Goergen PP-RS
14. Luis Carlos Heinze PP-RS
15. Luiz Noé PSB-RS
16. Manuela D'ávila PCdoB-RS
17. Dionilso Marcon PT-RS
18. Nelson Marchezan Junior PSDB-RS
19. Onyx Lorenzoni DEM-RS
20. Osmar Terra PMDB-RS
21. Paulo Ferreira PT-RS
22. Paulo Pimenta PT-RS
23. Renato Molling PP-RS
24. Ronaldo Zulke PT-RS
25. Vieira Da Cunha PDT-RS

Senadores gaúchos que assinaram o requerimento
1. Ana Amélia Lemos PP-RS
2. Paulo Paim PT-RS
3. Pedro Simon PMDB-RS

CPI vai investigar pelo menos 15 crimes

Com o apoio de 72 dos 81 senadores e de 396 dos 513 deputados, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que vai apurar a ligação de políticos e agentes públicos com Carlinhos Cachoeira definiu como alvo da investigação pelo menos 15 tipos de crimes cometidos pelo contraventor e o grupo dele. Entre os "espectros de ilicitudes" citados no requerimento, tráfico de influência, fraude nas licitações, corrupção e formação de quadrilha, entre outros.

O documento deixa claro a necessidade de investigar todas as empresas "associadas" a Cachoeira, incluindo a Delta Construções, maior empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O texto se refere a "empresas supostamente legais, controladas por Cachoeira ou que a ele estejam associadas, direta ou indiretamente".

Os partidos terão prazo até terça-feira para indicar representantes na comissão. No Senado, o PMDB indicou apenas o senador Vital do Rêgo (PB) para presidir a comissão, faltando ainda quatro nomes. O bloco do governo, encabeçado pelo PT, também vai ter cinco vagas. O bloco da minoria indicou os senadores Alvaro Dias (PSDB-PR), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), além do senador Jayme Campos (DEM-MT). O bloco já anunciou a cedência de duas suplências para os senadores Jarbas Vasconcelos (PE), dissidente do PMDB, e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

O recém-criado bloco União e Força, formado pelo PTB e PR, deve ser representado pelos senadores Fernando Collor (PTB-AL) e Vicentinho Alves (PR-TO). O regimento prevê 16 nomes, além dos 15 previstos no requerimento de criação da comissão, para atender aos partidos nanicos. No caso, o rodízio favoreceu o PSD, e não o PSOL, que pode indicar um titular e um suplente.

Com informações das Agências Câmara e Estado

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