Política

Perillo admite ter se encontrado três vezes com Cachoeira

Governador de Goiás depõe à CPI que apura as ligações do contraventor goiano

Governador de Goiás, Marconi Perillo, em depoimento na CPI do Cachoeira
Governador de Goiás, Marconi Perillo, em depoimento na CPI do Cachoeira Foto : Wilson Dias / ABr / CP
O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), admitiu nesta terça-feira na Comissão Parlamentar mista de Inquérito (CPI) do Cachoeira ter se reunido no ano passado em pelo menos três ocasiões com o contraventor goiano Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. No início do depoimento e depois em várias intervenções, Perillo negou ter uma relação de proximidade com o bicheiro.

Segundo Perillo, um dos encontros ocorreu no seu gabinete no Palácio das Esmeraldas, sede do governo goiano. Na reunião, segundo o governador, eles conversaram sobre a Vitapan, laboratório farmacêutico com atuação no Estado.

Uma segunda reunião em que os dois se encontraram foi durante um jantar na casa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Durante o encontro, o governador disse que falaram de gastronomia e de uma possível candidatura de Demóstenes, bem cotado nas pesquisas de intenção de voto à época, à prefeitura de Goiânia.

O terceiro encontro, também em um jantar, ocorreu na casa do ex-presidente do Departamento de Trânsito de Goiás (Detran-GO) Edivaldo Cardoso. O governador de Goiás disse que os dois conversaram rapidamente sobre incentivos fiscais para a empresa de medicamentos.

Perillo faz questão de ressaltar a todo momento que nos encontros dos quais participou sabia da atuação de Cachoeira como empresário. Segundo ele, só soube da ação ilegal dele depois de deflagrada a operação Monte Carlo, que prendeu Cachoeira em fevereiro último.

"Muitos gostariam de me desestabilizar", diz Perillo

Mais cedo, Marconi Perillo afirmou ainda que "muitas pessoas" gostariam de desestabilizá-lo. O tucano disse que a tentativa de desgastá-lo vem especialmente de quem faz oposição ao governo dele. Para o governador, há quem queira usar a CPI para tentar desmoralizá-lo porque ele disse ter avisado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de denúncias de tentativa de cooptar parlamentares a aderir à base aliada antes do escândalo do mensalão, em 2005.

"Eu diria que muitas pessoas ligadas a alguns segmentos que são oposição a mim tentam usar a CPI com este objetivo: me desmoralizar, me desgastar", afirmou. "Eu nunca imaginei que um aviso (ao ex-presidente Lula) poderia ter tanto problema para mim", disse.

O governador afirmou que tem expectativa de que a CPI faça um "relatório sério" e esclareça se houve alguma irregularidade no episódio da venda da sua casa, das suas contas de campanha e se ocorreu algum benefício ao grupo de Carlinhos Cachoeira.

"CPI do Cachoeira não é o mensalão", exalta Perillo

Ainda sobre o mensalão, Marconi Perillo fez questão de dizer que o foco da CPI do Cachoeira não é o escândalo do mensalão. "O foco é outro. Eu não vou em hipótese alguma voltar a este tema em uma sessão como esta. São águas passadas", disse. "Não guardo rancor de ninguém, cumpri meu papel à época", completou.

O comentário de Perillo foi feito em resposta ao deputado Filipe Pereira (PSC-RJ), que comparou o suposto desconhecimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do esquema de pagamento de propina para votação em favor do governo ao fato de o governador goiano também não saber da atuação do contraventor Carlinhos Cachoeira em negócios ilícitos no seu estado. Perillo disse que prefere não fazer "juízo de valor" de Cachoeira antes da decisão da Justiça.

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