O perito Ricardo Molina, contratado pela defesa do presidente Michel Temer, voltou a desqualificar o áudio utilizado pela Procuradoria-Geral da República na denúncia oferecida nessa segunda-feira contra Temer por corrupção passiva. Ao questionar o relatório final da Polícia Federal sobre a gravação da conversa de Temer com o empresário Joesley Batista, a defesa do presidente criticou a PF por não ter respondido todas as dúvidas enviadas pelos advogados.
De acordo com Molina, o laudo dos policiais é “evasivo”, não é conclusivo e foi feito em cima de uma gravação da qual 23% foi perdida por quase 300 descontinuidades. Com base no áudio e partindo da premissa de que Joesley escutava a mesma emissora de rádio antes e depois de conversar com Temer, os peritos chegaram à conclusão que as interrupções somaram mais de seis minutos dos cerca de 28 minutos que durou o encontro.
“Essa gravação transpira irregularidade e a Polícia Federal, com esse laudo, em nenhum momento provou que ela é autêntica. Aliás, para mim, independentemente de qualquer laudo, uma gravação na qual falta 23% da conversação de interesse, não tem valor pericial e jurídico nenhum”, afirmou Molina, em entrevista coletiva para contestar o relatório final da PF.
Em maio passado, Fachin homologou a delação premiada de Batista e de outros executivos do grupo JBS. A conversa com Temer gravada pelo empresário em março, durante um encontro à noite no Palácio do Jaburu, foi uma das provas apresentadas pela PGR na denúncia de corrupção passiva oferecida nessa segunda-feira.
Perito contratado por Temer volta a desqualificar áudio de Joesley
PF ratificou legitimidade da gravação, mas Ricardo Molina aponta irregularidades