Política

Peritos não têm previsão de término para exumação de Jango

Técnicos seguem no cemitério de São Borja onde ex-presidente foi sepultado

Técnicos seguem no cemitério de São Borja onde ex-presidente foi sepultado
Técnicos seguem no cemitério de São Borja onde ex-presidente foi sepultado Foto : Tarsila Pereira
Por volta das 17h desta quinta-feira, um representante da equipe de peritos que atua na exumação do corpo do ex-presidente da República João Goulart, o Jango, falou pela primeira vez com a imprensa sobre o andamento dos trabalhos. O cubano Jorge Perez – que participa a pedido da família de Jango – disse que esse tipo de atividade tem hora para começar, mas não para terminar. Ele explicou que é obedecida uma série de procedimentos e, por isso, não se pode fazer uma previsão do término.

Os 12 peritos que atuam na exumação já efetuaram a retirada dos gases e começaram a quebrar a parede do túmulo. Após a identificação do caixão, foram feitas três perfurações para a liberação de cada tipo de substância. Os trabalhos começaram por volta das 7h30min.

Depois da conclusão dos trabalhos, os peritos colocarão os restos mortais de Jango em uma urna, que será empurrada por um carrinho até o portão do cemitério Jardim da Paz na companhia de familiares. Dali, o corpo será transferido para um caminhão fechado e deslocado até o aeroporto de São Borja, de onde segue para a base aérea de Santa Maria.

O transporte do corpo será realizado nesta quinta-feira até Brasília, onde Jango receberá honras de chefe de Estado. O ex-presidente Lula foi convidado para participar da cerimônia.

O processo vai determinar se Jango morreu de causas naturais, por problemas cardíacos, ou se foi envenenado no exílio. Em maio, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) acatou o pedido da família Goulart para realizar a exumação do corpo. Em setembro, começou a ser viabilizada a logística do transporte dos restos mortais de Jango do cemitério de São Borja até Brasília, além dos exames de DNA e toxicológicos que serão realizados. Porém, como se passaram quase 37 anos da morte de Jango, não há certeza se os testes serão conclusivos.

Deposto pelo golpe militar de 1964, Jango morreu em sua fazenda na cidade argentina de Mercedes, em dezembro de 1976. O corpo não passou por autópsia e o atestado de óbito aponta apenas enfermidade, como causa da morte. Contudo, relatórios de órgãos de inteligência comprovaram que o ex-presidente era monitorado por agentes da repressão durante o exílio, o que deu força para a versão de que Jango pode ter sido envenenado.

Corpo volta no dia 6

Presentes na audiência pública que explicou os procedimentos da exumação, os ministros José Eduardo Cardozo e Maria do Rosário garantiram que os restos mortais de Jango retornam a São Borja no dia 6 de dezembro, quando se completam 37 anos da morte do ex-presidente.




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