Política

Petição para saída de Cunha será entregue antes de Fernando Baiano depor

Documento já apresenta mais de 1,3 milhão de assinaturas digitais

Documento já apresenta mais de 1,3 milhão de assinaturas digitais
Documento já apresenta mais de 1,3 milhão de assinaturas digitais Foto : Nilson Bastian / Câmara dos Deputados / CP
O lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, um dos delatores que acusaram Cunha de envolvimento com o esquema de corrupção na Petrobras, vai prestar depoimento nesta terça-feira na sessão do Conselho de Ética da Câmara. Baiano é uma das testemunhas de acusação do processo por quebra de decoro parlamentar do qual o peemedebista é alvo. Antes, representantes da Avaaz, organização internacional conhecida por promover abaixo-assinados virtuais e campanhas de combate à corrupção, vão entregar ao colegiado um documento simbólico com mais de 1,3 milhão de assinaturas pedindo a perda de mandato do presidente da Casa.

O documento será entregue ao presidente da comissão, José Carlos Araújo (PR-BA). A campanha virtual começou em 22 de outubro do ano passado e chegou ao final de 2015 com 230 mil assinaturas pedindo a cassação do mandato do peemedebista. Logo após a sessão de votação do impeachment da presidente, houve um aumento significativo de apoios, chegando a 1,2 milhão de assinaturas em quatro dias. Nesta segunda-feira, site registrou mais de 1,3 milhão de apoios. A expectativa é de que a mobilização se torne uma das maiores do mundo.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enumerou em petição ao Supremo Tribunal Federal (STF), 11 motivos para o "necessário e imprescindível" afastamento do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do mandato de parlamentar e de líder da Casa. O documento foi entregue ao STF em dezembro de 2015, mas a Corte ainda não tomou uma decisão. Na sexta-feira passada, após participar de uma palestra na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Janot disse acreditar que não deve demorar para que o futuro do presidente da Câmara seja definido. "Nós enviamos várias denúncias contra ele e mais duas devem ser consideradas em breve pelo Supremo. Não podemos admitir que o terceiro homem na linha sucessória tenha um passado como o dele", afirmou.

Em caso de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o vice Michel Temer (PMDB) assume a Presidência e Eduardo Cunha, réu por corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato, chegaria ao segundo cargo da linha sucessória. O pedido de afastamento entregue por Janot ao STF traz um capítulo intitulado "Dos atos que visaram embaraçar e impedir a investigação de organização criminosa". Nele, o procurador aponta as 11 razões que, em sua avaliação, justificam o afastamento de Cunha.

"Certamente referido cargo (presidência da Câmara) lhe dá muito maiores poderes para atender aos interesses espúrios dos empresários, pois é o Presidente da Câmara o responsável por estabelecer a pauta de votação da Casa e, ainda, interferir na escolha de diversos cargos estratégicos para tais votações", disse Janot. "A reiteração criminosa e o uso do cargo de representante do povo para atender interesses ilícitos e escusos, não apenas dos empresários, mas também próprios, é fator que demonstra a necessidade também do afastamento do cargo para evitar a reiteração criminosa, assegurando-se a ordem pública."