Os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva responderam à intenção da oposição de, mais uma vez, processar o presidente na Justiça Eleitoral por campanha antecipada, acusando os adversários de não terem discurso. O assessor de política externa da Presidência, Marco Aurélio Garcia, que também é coordenador da campanha de Dilma Rousseff à sucessão de Lula, disse que a oposição insiste em acionar o presidente na Justiça porque está "assustada".
"Eles estão assustados, sem discurso", disse. "O Serra, que é mais esperto, ataca a Dilma e não o Lula, mas atacar a Dilma é o mesmo que atacar o presidente, porque ela teve participação fundamental nos projetos de governo dele", completou.
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que a oposição é muito "violenta", porque não está acostumada, segundo ele, com a democracia. "Esta estratégia da oposição é trololó. A fala do presidente Lula é patriótica, e em momento algum manifestou preferência partidária pela pré-candidata Dilma", completou o líder.
No pronunciamento que fez à população, o presidente Lula disse que, apesar de a gestão dele estar chegando ao fim, sente que este modelo de governo "está apenas começando".
"Algo me diz, fortemente, em meu coração, que este modelo vai prosperar. Sabe por quê? Porque este modelo não me pertence: pertence a vocês, pertence ao povo brasileiro, que saberá defendê-lo e aprofundá-lo, com trabalho honesto e decisões corretas", disse o presidente.
Oposição
PSDB, DEM e PPS entrarão na Justiça Eleitoral contra Lula na próxima segunda-feira, informaram hoje os líderes dos três partidos que integram a coligação da pré-candidatura de José Serra (PSDB) à Presidência. A oposição reclama da atitude de Lula que, segundo avaliação de seus presidentes, utilizou a cadeia de rádio e TV para fazer propaganda eleitoral, e não pronunciamento à população por conta do Dia do Trabalho, comemorado amanhã.
Ao falar em rede nacional ontem, Lula exaltou resultados de sua gestão, defendeu a continuidade e disse que o atual modelo de governo pertence ao povo, "que saberá aprofundá-lo com trabalho honesto e decisões corretas". Em tom de primeira despedida, afirmou que o brasileiro não desperdiça oportunidades e saberá conduzir o País no rumo certo. "Houve ilícito administrativo e eleitoral", avaliou o advogado do PSDB, Ricardo Penteado, que assina a representação contra Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Futuro líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR) subiu à tribuna, logo pela manhã, para reclamar do que chamou de propaganda "explícita e escancarada". "As afirmações do presidente são uma afronta à Lei", disse. "Aquilo não foi uma campanha subliminar. Foi campanha escancarada, proselitismo a favor da candidata dele (a ex-ministra Dilma Rousseff) e uso da máquina pública", afirmou Dias.
Presidente do DEM, o deputado Rodrigo Maia (RJ) classificou o pronunciamento do presidente como um "discurso político". "Aquilo foi um verdadeiro horário eleitoral gratuito. O presidente deveria ter feito aquele discurso no dia 13 de maio, quando vai ao ar o programa do PT, e não no pronunciamento do Dia do Trabalho", afirmou.
O presidente nacional do PPS, ex-senador Roberto Freire, também fez coro. Disse que apenas uma multa a Lula não basta e que a oposição deveria ter tempo semelhante na TV. "Aquele é um tipo de pronunciamento que exige liturgia com a Presidência da República. Não pode se transformar em uma propaganda eleitoral. É um desrespeito usar o cargo para fazer isso."
Petistas dizem que oposição está "assustada"
PSDB, DEM e PPS entrarão na Justiça Eleitoral contra Lula na próxima segunda-feira