Política

Petrobras rescinde contrato de obra com a Galvão Engenharia

Fábrica de fertilizantes de R$ 3,9 bilhões que está construindo em Três Lagoas (MS)deveria ser entregue em setembro

Fábrica de fertilizantes teria que ter sido entregue em setembro
Fábrica de fertilizantes teria que ter sido entregue em setembro Foto : Geraldo Falcão / Agência Petrobras / Divulgação / CP
A Petrobras rescindiu o contrato de construção da fábrica de fertilizantes de R$ 3,9 bilhões que está construindo em Três Lagoas (MS), na divisa com São Paulo. A unidade, que deveria ter sido entregue em setembro deste ano, foi projetada para ser uma das maiores plantas de fertilizantes do mundo. No entanto, as obras estão paralisadas devido à insolvência do consórcio UFN3. O prazo previsto para junho de 2015 poderia ser adiado para 2016. A Petrobras informou, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que não comentaria a rescisão.

O consórcio, responsável pela construção da unidade, é formado pela Galvão Engenharia e Sinopec Petroleum do Brasil. A GDK deixou o consórcio em 2012, repassando seus 33% no empreendimento à Galvão, mas uma liminar da Justiça obriga a Petrobras a pagar a dívida da Galvão em 15 dias. Para lembrar: A Galvão é uma das empresas envolvidas no escândalo da Petrobras e executivos da construtor estão entre os indiciados por corrupção pelo Ministério Público Federal após as investigações da Operação Lava Jato.

O consórcio, que deve R$ 400 milhões a fornecedores e prestadores de serviços, tem até 18 de dezembro para responder ao comunicado de rescisão feito na última segunda-feira, 8, pela Petrobras. A paralisação da obra, divulgada pelo jornal "O Estado de São Paulo" em 28 de novembro, foi admitida oficialmente pela estatal na última terça-feira, 9, em reunião de representantes do UFN3 e da estatal com a prefeita de Três Lagoas, Márcia Moura (PMDB).

Segundo a prefeita, o não cumprimento de cláusulas contratuais e a paralisação das obras, sem o pagamento de 5,3 mil operários foram os principais motivos alegados pela estatal para rescindir o contrato. Na quinta-feira passada, 2.776 operários aceitaram receber parte do acerto trabalhista. A Justiça bloqueou R$ 80 milhões em bens do UFN3 para garantir o pagamento dos trabalhadores.

Aditivos

O consórcio alega que entrou em insolvência porque a Petrobras não cumpriu as novas referências de valores previstas em contrato. Esses valores, relativos a novos serviços, deveriam ser pagos em aditivos cujos pleitos foram negados pela Petrobras à Galvão, líder do contrato. Mesmo assim o consórcio ainda teria restos a receber, cujos recursos a prefeita espera que sejam usados para quitar dívidas trabalhistas e com as 60 empresas prestadoras de serviços da cidade para as quais o UFN3 deve R$ 11 milhões.

"O que eu quero é que eles acertem com as empresas da minha cidade e com o chão de fábrica", afirmou a prefeita. No total, a dívida do UFN3 passa de R$ 400 milhões.

Atraso

Segundo a Petrobras e o consórcio, a fábrica já estaria com 82% das obras concluídas e a paralisação neste momento poderia atrasar ainda mais. Porém, técnicos e fornecedores ouvidos pela reportagem do jornal (que não teve acesso ao canteiro) disseram que apenas 70% a 75% das obras estão prontas. A Petrobras informou que foram investidos até agora R$ 3,1 bilhões dos R$ 3,9 bilhões previstos. No canteiro de obras restam algumas centenas de trabalhadores, que estão com os salários atrasados. Na próxima terça-feira, haverá outra reunião para concluir a rescisão e avaliar a realização de uma nova licitação.