Política

PF indicia Vaccari outra vez e executivos de empreiteira por corrupção

Ex-tesoureiro do PT já foi condenado por três ações penais em esquema na Petrobras

PF indicia Vaccari pela segunda vez por corrupção
PF indicia Vaccari pela segunda vez por corrupção Foto : Luiz Macedo / Câmara dos Deputados / Divulgação / CP
A Polícia Federal (PF) indiciou criminalmente, mais uma vez, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto na operação Lava Jato. Já condenado em três ações penais a 31 anos de prisão, Vaccari agora foi enquadrado pela PF por corrupção e associação criminosa. Com ele foram indiciados dois executivos ligados à Carioca Engenharia, Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Júnior - estes por corrupção ativa, associação criminosa e crime contra a ordem tributária.

Segundo a delegada federal Renata da Silva Rodrigues, "na condição de diretores/conselheiros" da empreiteira, os executivos autorizaram e determinaram o pagamento de propina no esquema de corrupção instalado na Petrobras e fraudaram "a competitividade de certames licitatórios" da estatal. Também foram indiciados neste inquérito o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, o ex-gerente executivo da estatal Pedro Barusco e o lobista Mario Góes.

Ricardo Pernambuco, Ricardo Pernambuco Júnior, Mário Góes e Pedro Barusco são delatores da Lava Jato. Vaccari e Renato Duque foram indiciados por corrupção e associação criminosa. A PF atribui a Barusco os mesmos crimes e mais lavagem de dinheiro. A Mário Góes foi imputado o crime de lavagem de dinheiro.

De acordo com a delegada, Vaccari teria "exigido e recebido vantagem indevida da Carioca, como intermediário do Partido dos Trabalhadores e em concurso com Renato Duque, em 2011, para influenciar em convite para a obra da Fábrica de Fertilizantes em Uberaba/MG". O relatório cita o lobista Adir Assad, não indiciado neste caso, mas já condenado na Lava Jato a 9 anos e 10 meses por lavagem de dinheiro e associação criminosa em esquema de propinas da Petrobras.

"Os recursos foram pagos em espécie a Vaccari, por meio do 'caixa dois' da Carioca, o qual contava, entre outras, com empresas do grupo de Adir Assad, já denunciado por sua atuação continuada como lavador de dinheiro", aponta o relatório. A Federal afirma ainda no relatório que Pedro Barusco recebeu, por meio de Mário Góes, 'vantagem indevida paga pelos executivos da Carioca Engenharia, entre 2008 a 2012, a fim de influenciar nos contratos do Gasoduto Coari-Manaus, Píer de GNL e Terminal Aquaviário de Barra do Riacho'.

"Os recursos foram pagos em espécie e também por meio de transferências para contas no Exterior controladas por Mario Góes, de forma a dissimular a origem ilícita dos recursos", anota a delegada federal Renata da Silva Rodrigues. No inquérito policial, indiciar corresponde a atribuir a algum suspeito a autoria de determinado ilícito penal. Não significa, contudo, que o Ministério Público Federal vai concordar com os argumentos e denunciar os envolvidos.

O ex-tesoureiro do PT já foi condenado em três ações penais da Lava Jato: 15 anos e 4 meses de reclusão, em 21 de setembro de 2015, pelos crimes de corrupção, de lavagem e de associação criminosa, em 18 de maio de 2016 9 anos de prisão pelo crime de corrupção passiva, e em 15 de setembro deste ano, a 6 anos e oito meses de reclusão pelo crime de corrupção passiva. Vaccari ainda responde a mais três ações penais perante a 13ª Vara Federal, em Curitiba, sob a tutela do juiz Sérgio Moro.

Defesas

O advogado Luiz Flávio Borges D'Urso, defensor de João Vaccari, tem reiterado que o ex-tesoureiro do PT jamais arrecadou valores de origem ilícita. Segundo D'Urso, todos os valores captados por Vaccari foram contabilizados no caixa do PT e declarados à Justiça Eleitoral.

O advogado Luciano Feldens, defensor da Carioca Engenharia, informou por meio de sua Assessoria de Imprensa (Danthi Comunicações) que não vai se manifestar sobre o despacho de indiciamento dos executivos da empresa.