Na sexta, o ministro disse que vai exonerar Soares Filho da função de confiança. A decisão foi tomada após ele ser informado pelo Estado do suposto envolvimento do servidor com o esquema criminoso. Eu mesmo, o ministro, fui surpreendido. Não sabia que poderia ocorrer um fato dessa natureza no ministério", afirmou Garibaldi ao jornal O Estado de S. Paulo. Segundo ele, medidas serão tomadas para tornar mais severo o controle dos fundos de pensão municipais. "Infelizmente, brasileiro só fecha a porta depois que roubam. Vamos tomar providências para que a fiscalização seja mais rigorosa", afirmou.
Contatos
O relatório da PF diz que Soares Filho, auditor da Receita Federal que trabalha no Ministério da Previdência como assessor da Diretoria do Departamento dos Serviços de Previdência no Serviço Público, manteria contatos com a organização investigada e frequentaria uma das empresas apontadas no esquema, a Invista Investimentos Inteligentes, tendo sido fotografado numa dessas visitas, em outubro de 2012.
Segundo as investigações, um assessor da ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) atuaria como lobista da quadrilha. Para a PF, há "indícios suficientes" de que Soares Filho praticou os crimes de formação de quadrilha e de atuar ou exercer atividade, sem autorização, no mercado de valores mobiliários. Com base nos grampos e em documentos da operação, o relatório sustenta que o assessor mantinha negócios com o grupo investigado e participava de palestras realizadas para cooptar prefeitos. Ele aparece também em anotações do doleiro Fayed Traboulsi, preso sob a acusação de chefiar o esquema.
Segundo o relatório, um dos contatos do assessor era Carlos Eduardo Carneiro Lemos, o Dudu, conhecido como operador de fundos de pensão. Dudu assumiu em maio a propriedade de R$ 450 mil apreendidos de dois homens no Aeroporto Juscelino Kubitschek, que tentavam passar com o dinheiro escondido em suas meias e cuecas. Numa das conversas transcritas, ocorrida dias após o episódio, o assessor consulta um colega da Receita sobre como justificar a origem de R$ 20 milhões, supostamente para orientar Dudu. Soares Filho foi procurado ontem pelo jornal O Estado de S. Paulo. A ligação de celular foi interrompida assim que a reportagem informou sobre o assunto a ser tratado.