PGR denuncia deputado federal do PSL por forjar o próprio atentado

PGR denuncia deputado federal do PSL por forjar o próprio atentado

Loester Trutis (PSL) é acusado de comunicação falsa de crime, porte ilegal e disparo de arma

R7

Parlamentar alegou ter sofrido uma emboscada a caminho de um evento político

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Por forjar o próprio atentado de morte e atribuir a culpa a supostos inimigos políticos, o deputado federal bolsonarista Loester Trutis (PSL-MS) está sendo denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos crimes de falsa comunicação de crime, porte ilegal e disparo de arma de fogo. O inquérito foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que decide se acolhe ou não a denúncia.

O suposto atentado denunciado pelo deputado ocorreu em 16 de fevereiro de 2020, quando o parlamentar, acompanhado do assessor Ciro Fidelis, alegou ter sofrido uma emboscada a caminho de um evento político, no Mato Grosso do Sul. Os dois sustentaram a versão à polícia, mas as provas juntadas no processo refutam a narrativa.

A partir das provas balísticas, foi constatado ser impossível que, pela posição onde estariam os dois, eles terem saído sem ferimentos de dentro do carro. No local onde Trutis e o assessor alegaram ter ocorrido a abordagem, também não foi verificada nenhuma movimentação. Ao contrário, o que se constatou foi que o carro atingido pelos disparos fez um desvio para uma estrada de terra, onde foram encontradas as cápsulas das balas. O GPS do veículo onde estava o parlamentar também confirmou o percurso.

“Segundo consta dos autos, diversos laudos periciais, relatórios e informações policiais, além de oitivas, revelaram a real dinâmica dos fatos e refutaram a versão inicialmente apresentada pelos denunciados à Policia Federal”, sustenta a denúncia, assinada pelo vice-PGR, Humberto Jacques.

Além de Trutis, a denúncia mira o assessor dele, Ciro Fidelis, que também sustentou a narrativa durante o inquérito policial. A PGR encaminhou a denúncia ao Supremo por entender que, ainda que forjado, o crime tem relação com as atividades parlamentares, o que garante o foro privilegiado.

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Entre as justificativas da PGR ao enviar o documento ao STF e não à primeira instância está o fato dos ocupantes estarem a caminho de um evento político, quando os disparos aconteceram. “Ademais, em depoimento, Loester afirmou que a situação ocorrida 'certamente decorre de sua atuação como deputado federal, pois em razão de sua atuação acaba irritando muita gente no estado do Mato Grosso do Sul, e que não haveria nenhuma razão para esse atentado relacionado a sua vida privada’”.

À época, Trutis chegou a fazer postagens nas redes sociais, afirmando que o carro em que estava havia sido alvejado por, no mínimo, cinco disparos. Aproveitou a ocasião para defender o porte de arma, pauta recorrente do deputado bolsonarista. “Meu pai dizia: ‘tenha fé, mas vá armado’. Graças a Deus pude revidar e aguardar a polícia. Quem achou que eu ia parar ou me calar, digo que estamos apenas começando”, escreveu à época.

O parlamentar ainda afirmou que não daria entrevistas “por não acreditar na seriedade da imprensa digital do MS (Mato Grosso do Sul)”. Em outra postagem, rebateu piadas e acusações de que o ocorrido se tratava de uma simulação.

“Os leigos e engraçadinhos ‘esquecem’ que no MS o crime organizado sempre teve participação na política. Cigarreiros, traficantes e líderes de esquadrões da morte se tornaram vereadores, deputados e quase fizeram até um governador”, sustentou, voltando a defender o porte.

No decorrer das investigações, Trutis alegou que teria porte funcional, por ser parlamentar, concessão que, na realidade, não existe. Ao deputado também é proibido o porte, uma vez que ele responde a um processo penal decorrente de Lei Maria da Penha. Ao admitir ter usado uma pistola para revidar o suposto atentado, os investigadores constataram que a arma estava registrada no nome do irmão do deputado, Alberto Carlos Gomes de Souza.

No âmbito da Operação Tracker, conduzida pela PF, foram encontradas várias armas na casa do deputado, incluindo um fuzil. Por esse motivo, ele chegou a ser preso, mas foi liberado por ser parlamentar, já que, pela função, só pode ser preso por crime inafiançável. Em relação aos armamentos encontrados durante os mandados de busca e apreensão, a PGR solicita a apuração em primeira instância.

Além das denúncias contra Trutis e Ciro Fidelis, a PGR sugere ao STF a celebração de um acordo de não persecução penal a Alberto Carlos, irmão do deputado, por entender ter praticado o crime de porte ilegal de arma ao emprestar a pistola ao parlamentar.

O carro em que Trutis estava era alugado, e, por ser ação penal privada, a PGR pede a intimação da empresa de locação de automóveis para que, querendo, entre com ação penal privada contra o deputado por crime de dano.

A denúncia foi encaminhada pela PGR ao STF, que vai decidir sobre o acolhimento ou não. A relatoria está nas mãos da ministra Rosa Weber. 


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