Política

Piratini envia pacote fiscal em agosto

Conjunto de projetos proporá alterações no Fundopem e criação do PSI

O terceiro pacote de medidas idealizado pelo Palácio Piratini, focado em mudanças na política de incentivos fiscais e na exigência de maior contrapartida de empreendedores beneficiados, deverá ser protocolado na Assembleia até o final de agosto, após passar por período de discussões no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

As propostas, que sucederão o recém-aprovado e polêmico programa de sustentabilidade financeira, estão em fase de elaboração na Casa Civil e na Pasta do Planejamento, mas já há a confirmação de que serão feitas alterações no Fundopem. Também será criada a versão gaúcha do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que irá autorizar o Piratini a pagar parte dos juros que incidirão sobre empréstimos feitos junto ao BNDES por empreendedores que pretendem ampliar a produção.

O governador Tarso Genro evitou, na segunda-feira, listar nominalmente as medidas que integrarão o novo pacote, mas explicitou o conceito político e administrativo que irá caracterizar as proposições. "Vamos fazer o combate à guerra fiscal e teremos uma nova lei de incentivo. Vamos privilegiar as zonas que têm mais necessidade de investimento, a renúncia fiscal será vinculada à criação de empregos e o estímulo ao desenvolvimento tecnológico e científico será dado às empresas que se enraizarem na nossa base produtiva. Essa é a linha. Vamos colocar em discussão no Conselhão para ver se ainda em agosto mandamos à Assembleia", afirmou Tarso.

O governador justifica a mudança ao afirmar que o atual modo de concessão de isenções fiscais prejudica o desenvolvimento do Estado. "As políticas de incentivo estavam sendo feitas de maneira muito espontânea. Era trazer qualquer empresa a qualquer custo. Nós temos que trazer empresas, mas temos que medir o resultado disso na economia", disse Tarso, que ainda listou problemas decorrentes do sistema fiscal vigente.

"O Estado faz renúncia, reduz arrecadação e fica sem dinheiro para investimento. Essas empresas criam um quisto em torno delas, não transmitem tecnologia, não geram mais empregos na cadeia produtiva, o que é um modelo já superado", avaliou Tarso, que garantiu a manutenção dos incentivos que já foram concedidos a partir da política fiscal atual. Ele disse ainda que a guerra fiscal representou um "verdadeiro estupro" ao sistema tributário brasileiro.

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