Política

Planalto tenta reagir com pacote anticorrupção

Dilma fará pronunciamento em rede nacional de rádio e TV neste domingo

Dilma fará pronunciamento em rede nacional de rádio e TV neste domingo
Dilma fará pronunciamento em rede nacional de rádio e TV neste domingo Foto : Roberto Stuckert Filho / Palácio do Planalto / CP Memória
Impactado pela divulgação de que a cúpula do PT no Senado - formada pelo trio Glesi Hoffmann, Humberto Costa e Lindbergh Farias - será investigado no rol dos 49 políticos apontados pela Procuradoria-Geral da República como possíveis participantes de esquema de propina na Petrobras, o Palácio do Planalto prepara o anúncio de um pacote anticorrupção para este domingo. Dilma deve falar em rede nacional de rádio e TV, às 20h40min, em pronunciamento que abordará também o Dia Internacional da Mulher. 

A presidente fará uma defesa forte do governo. O discurso foi moldado pelo marqueteiro João Santana, que quer aproveitar o palanque eletrônico para enviar recados à população e resgatar a popularidade de Dilma. Pouquíssimos assessores acompanharam a gravação do pronunciamento, na quinta-feira, em uma estratégia montada para evitar vazamentos.

No pronunciamento, a presidente vai exaltar as políticas sociais dirigidas ao público feminino como os principais serviços para o atendimento integral de vítimas de violência, como delegacias especializadas, defensorias e promotorias. Ela deve aproveitar o discurso em rede nacional para defender um pacote anticorrupção e o ajuste fiscal elaborado pela equipe econômica. Vai justificar a importância das medidas, enfatizando que o Brasil tem fundamentos econômicos sólidos para enfrentar a no enfrentamento da crise.

O governo e a cúpula do PT tentam criar uma rede de proteção para evitar que o escândalo na Petrobras grude na imagem da presidente e abale ainda mais o partido, já desgastado com sucessivas acusações de corrupção. Além disso, a menção do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao nome da presidente na Operação Lava Jato foi recebida com desagrado pelo governo, que não vê motivo para que seu nome pudesse ser citado. No Planalto, a ordem é não entrar no mérito das investigações e produzir uma “agenda positiva” para a presidente Dilma, com o objetivo de se contrapor ao terremoto político.

Doleiro cita Dilma e Lula em depoimento

Em um dos depoimentos da delação premiada, o doleiro Alberto Youssef declarou que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula “tinham conhecimento da estrutura que envolvia a distribuição e repasse de comissões no âmbito da estatal (Petrobras)”. O trecho está citado na petição da Procuradoria Geral da República (PGR) que pede abertura de inquérito contra a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). O depoimento traz ainda os nomes de ministros dos governos de Dilma e Lula como conhecedores do esquema.

Ainda conforme a petição da PGR, a declaração foi feita em complementação a depoimento do dia anterior, em que o doleiro detalhou circunstâncias em que supostamente entregou R$ 1 milhão à campanha de Gleisi ao Senado, em 2010. No trecho, Youssef diz que “gostaria de ressaltar que tanto a presidência da Petrobras quanto o Planalto tinham conhecimento” da distribuição de comissões.

Indagado sobre a quem se referia com o termo “Planalto”, o doleiro listou nomes. “Esclarece que (se referia) tanto a Presidência da República, Casa Civil, ministro de Minas e Energia, como Lula, Gilberto Carvalho, Ideli Salvatti, Gleisi Hoffmann, Dilma Rousseff, Antônio Palocci, José Dirceu e Edison Lobão, entre outros relacionados”, diz trecho do termo de colaboração de Yousseff.