Um investimento de R$ 36,8 bilhões poderia resolver as dificuldades dos transportes no Rio Grande do Sul ao longo dos próximos 25 anos. É o que aponta o Plano de Logística e Transportes (Pelt-RS), lançado pelo governo do Estado na tarde desta quinta-feira no Palácio Piratini, em Porto Alegre. O estudo, que resultou em um relatório final de mais de 200 páginas, aponta medidas a serem tomadas para os modais rodoviário, hidroviário, ferroviário e aeroviário até 2039. Sugere, ainda, as maneiras pelas quais o Executivo estadual pode vir a buscar os recursos.
As principais formas devem ser através de Parcerias Público Privadas (PPPs) e financiamentos internacionais, quando o governo estiver em condições de garantir esse tipo de operação, afirmou o secretário Pedro Westphalen, que deixa a Secretaria dos Transportes na próxima segunda-feira e deve colocar seu nome à disposição do Partido Progressista (PP) para concorrer a Deputado Federal. Ainda segundo ele, outra iniciativa que será tomada é articular que o governo federal compreenda a importância da diminuição do custo logístico para o desenvolvimento do setor e da economia como um todo.
“Através de dados cruzados com a Fazenda e outras secretarias, o projeto determina as ações que têm que ser feitas nos modais nos próximos 25 anos para que o Estado seja um capacitador, um indutor e um atrativo para que aqui se implante novos investimentos”, comentou Westphalen. O principal a ser feito, conforme ele, é inverter uma dependência de 88% do transporte feito por rodovias. A alternativa mais rápida diz respeito às hidrovias, segundo o secretário iniciadas nesse governo. Em seguida, há a questão das ferrovias, nas quais há uma dependência maior do governo federal.
A malha ferroviária concedida no Estado, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apresentados no Pelt-RS, é de 3.259 quilômetros, mas apenas 1.952 são utilizados plenamente. Para as ferrovias, o plano sugere que aproximadamente R$ 8,2 bilhões sejam investidos nas próximas duas décadas e meia para construir 929 novas linhas e restaurar as existentes. Já no que diz respeito às hidrovias – que hoje transportam cerca de seis milhões de toneladas em mercadorias por 776 quilômetros – precisariam ser destinados cerca de R$ 361,2 milhões, o que representa o menor dos investimentos do Pelt. Com os recursos, seriam construídos 280 quilômetros.
O maior investimento a ser feito é nas rodovias: R$ 25,8 bilhões para o aumento em 3.309 quilômetros. Já os recursos que precisam ser destinados para o modal aeroviário e também para o dutoviário são da ordem de R$ 2,5 bilhões para intervenções como aumento de pistas e terminais. Ao todo, até 2039 devem ocorrer 114 obras – 15 ferroviárias, 17 hidroviárias, dez aeroviárias e 72 rodoviárias. “É um dos melhores planos de logísticas e transportes do Brasil, inclusive superior ao Plano Nacional (PNLT)”, afirmou o engenheiro Luiz Afonso Senna, coordenador da equipe responsável pelo estudo.
Para o governador José Ivo Sartori, o Pelt foi capaz de investigar todas as deficiências do transporte de cargas do Estado. Ele, que ainda ressaltou a importância das PPPs, disse que a prioridade do governo é a RS 118. A estimativa do Executivo é de que cerca de 70% das ações na rodovia já tenham sido feitas.
Plano de transporte do governo Sartori estima R$ 36,8 bi até 2039
Estudo analisou necessidades de investimento em todos os modais para a logística do RS