O Correio do Povo publica nesta sexta-feira a última matéria com os planos e as visões dos candidatos ao governo do Estado sobre temas relevantes à administração pública e para a sociedade gaúcha.
Na edição desta sexta-feira, os postulantes à cadeira de chefe do Executivo estadual dizem como entendem que deverá ser a relação da administração pública com os movimentos sociais. Explicam igualmente como e que determinações pretendem dar às forças de seguranças. Devem reagir à pressão das ruas? Como irão enfrentar as eventuais transgressões e até mesmo os possíveis atos de violência e depredação? A questão ganhou relevância a partir dos movimentos reivindicatórios de junho/julho de 2013, quando jovens saíram às ruas do país inteiro. No Rio Grande do Sul, neste contexto, cabe ao futuro governador definir a postura da Brigada Militar diante de atos de violência e quebra-quebra, de um lado, e o uso da força policial para conter as manifestações, de outro.
Tarso Genro: Desde o início de nosso governo apostamos no amplo diálogo com a sociedade civil através de instrumentos como o Conselhão e as diversas ferramentas desenvolvidas pelo Gabinete Digital de escuta e consulta à população. Essa opção se mostrou acertada especialmente durante as manifestações de junho de 2013, quando mantivemos um diálogo permanente com os movimentos envolvidos nos protestos que resultou na criação do Passe Livre Estudantil, atendendo à principal demanda dos jovens que saíram às ruas. O RS foi o único estado a tomar atitude concreta para responder às manifestações e hoje essa medida beneficia 30 mil estudantes que vivem em uma cidade e estudam em outra. O acompanhamento da Polícia durante os protestos, por outro lado, foi feito sob a orientação de proteção à vida e efetivamente não tivemos nenhum incidente grave de violência.
Ana Amélia: Os movimentos sociais não serão criminalizados no Rio Grande do Sul e os seus pleitos legítimos serão ouvidos e atendidos, conforme as possibilidades. No nosso governo estaremos permanentemente abertos ao diálogo e para construir, juntos, as melhores soluções para as demandas apresentadas pelos movimentos sociais, com respeito e antes de todo e qualquer ato de enfrentamento. Respeitaremos a todos os movimentos que combatam as desigualdades sociais, os preconceitos e lutem pelos direitos básicos das pessoas, dos cidadãos, com suas respectivas diversidades. Mas vamos atuar dentro da lei, evitando os excessos que têm assustado a sociedade e são condenados pela maioria da nossa população. Nós entendemos que é preciso dar proteção às pessoas e ao patrimônio, seja ele público ou privado.
Humberto Carvalho: Os comunistas conhecem os movimentos sociais e sabem que os mesmos possuem uma energia própria que não se conterá com a violência estatal, mas com a disposição política ao diálogo, à negociação. De outro ângulo, temos a convicção de que os quebra-quebras não se originam nos movimentos sociais e sim na infiltração de provocadores a mando daqueles que querem desacreditar esses movimentos e oportunizar a repressão violenta aos mesmos, inclusive com a franca disposição de criminalizar os movimentos sociais. A livre manifestação dos diversos grupos sociais é um direito e não um crime. A Polícia Militar estará presente nos movimentos, mas para protegê-los dos infiltrados e denunciar os que forem responsáveis pelas depredações.
José Ivo Sartori: Minha trajetória de gestão sempre primou pelo diálogo e no governo do Estado do Rio Grande do Sul não será diferente. Portanto, as negociações terão a finalidade de encontrar a melhor forma de atender à necessidade apresentada por representantes de movimentos sociais e dos cidadãos. E, para fazer as negociações, os representantes dos movimentos sentarão frente a frente com o governo para claramente apresentarem suas reivindicações e estabelecerem negociações. É assim nas democracias e assim será no meu governo. Quanto às manifestações e movimentos nas ruas, entendemos que os episódios ocorridos em junho de 2013 foram muito positivos para a vida nacional e para uma consciência diferenciada do status quoexistente em termos governamentais. Por isso, resgatar a política como única forma de conduzir democraticamente o desenvolvimento torna-se uma prioridade.
Roberto Robaina: Se eleito, um governo da Frente de Esquerda (PSol-PSTU) terá um relacionamento aberto, direto e respeitoso com os movimentos sociais. Nossa vice-governadora, Gabi Tolotti, esteve nas manifestações de junho de 2013 e atuaria dialogando com os movimentos sociais e articulando suas demandas junto às secretarias e ao meu gabinete. Durante as manifestações, a mídia e os partidos do sistema tentaram ligar o PSol a episódios isolados de ataque ao patrimônio público e privado. Tanto o PSol como o PSTU possuem militantes que estão sendo perseguidos pelo Estado e foram vítimas de um inquérito digno de uma polícia política, com acusações que não correspondem à realidade. Não temos nenhuma ligação com grupos que promovem ações violentas. Nosso método de luta é apostar em grandes mobilizações de massas. Não vamos usar a Polícia Civil e a Brigada para a defesa de interesses de muito poucos gaúchos privilegiados: os ricos e os políticos da ordem.
Vieira da Cunha: Os movimentos sociais têm um papel fundamental na luta e na conquista dos direitos sociais da população. As reivindicações por melhorias no transporte público que tomaram as ruas no ano passado foram legítimas, assim como é legítimo o direito ao protesto. Porém, nós precisamos saber diferenciar manifestações legítimas de movimentos sociais da baderna e de atos criminosos. Dilapidar patrimônio é crime, e como tal vai ser tratado em meu governo. Em nome da livre manifestação, não se podem tolerar atos de violência e vandalismo. Isso é crime, e como tal deve ser tratado.
Edison Estivalete: Os movimentos e manifestações sociais e de trabalhadores são legítimos, têm garantia constitucional e serão respeitados, desde que com cara limpa, ou seja, não serão admitidos mascarados infiltrados nos protestos. Se persistirem serão presos, assim como não serão admitidas badernas nem depredações dos patrimônios públicos e privados. Se isso ocorrer a Brigada Militar e a Polícia Civil terão a ordem de intervir e prender todos que se envolverem nesse tipo de crime previsto em lei. Manifestações, greves, passeatas e movimentos sociais que não usam de violência, não invadem propriedades, não promovem quebra-quebras e não usem máscaras serão respeitados por todos os órgãos do governo. Do contrário, serão contidos, pois as Polícias Militar e Civil têm a obrigação constitucional de manter a paz, a ordem e garantir o Estado de Direito de todos os cidadãos, sejam manifestantes ou não.