Política

PMDB gaúcho tenta encontrar novo rumo

Partido está ouvindo as bases no RS para definir as bandeiras da sigla

As derrotas nas eleições de 2006 e 2010 e a carência de novas lideranças e de bandeiras levaram o PMDB gaúcho a aprofundar uma autoavaliação com o objetivo de apontar rumos para a sigla, que em outros tempos fora reconhecida como símbolo de resistência à ditadura militar e de luta pela redemocratização.

Diante da perda de representatividade, considerando também o processo de diminuição da bancada estadual, os peemedebistas avaliaram que estava na hora de ir para o divã. Assim nasceu o movimento denominado "O PMDB que eu quero", idealizado por Ibsen Pinheiro, presidente da sigla. Até outubro serão realizados 28 encontros em todas as regiões do Estado. As lideranças e os militantes que participam recebem questionários onde estão listadas interrogações como a postura diante dos governos estadual e federal e a preparação para as eleições de 2012. Porém, a primeira indagação da ficha vai ao encontro de uma das principais necessidades imediatas do PMDB: a identificação de bandeiras partidárias.

"Enfrentamos hoje um problema de falta de identidade. Precisamos nos posicionar diante da nova conjuntura. Mas, para isso, temos que fazer esse autoexame", avaliou o ex-vice-governador Antonio Hohlfeldt. Em artigo publicado na página virtual da legenda, Ibsen defende a adaptação da prática peemedebista às discussões contemporâneas. "Assim como o velho MDB inspirou-se na dura realidade para formular o programa da redemocratização, o PMDB de hoje precisa corresponder às necessidades de agora e dizer como enfrentar os novos tempos", escreveu Ibsen. A recuperação das bandeiras também é defendida pelo presidente do PMDB de Porto Alegre, vereador Sebastião Melo. "O partido se perdeu ao longo da sua história. Precisamos nos reencontrar. Aquele partido que lutou por democracia, que resistiu à ditadura, pode hoje apresentar uma agenda política para o Rio Grande do Sul e o Brasil", afirmou Melo.

Liderança histórica do PMDB, o senador Pedro Simon reconhece a força do golpe sofrido nas eleições de 2010, mas faz questão de projetar boas perspectivas. "Saímos de uma derrota difícil. Mas estamos num caminho positivo para afinar o discurso."

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