Política

Polícia de Brasília tenta quebrar sigilos bancários de pessoas ligadas a Marcelo Cavalcante

Após um ano, investigação sobre morte de ex-chefe do governo gaúcho no DF ainda não foi concluída

A Justiça pode quebrar, nos próximos dias, o sigilo bancário de pessoas ligadas ao ex-chefe do escritório do governo gaúcho no Distrito Federal, Marcelo Cavalcante, encontrado morto em fevereiro de 2009, no Lago Paranoá, em Brasília. Os nomes são mantidos em sigilo. Nesta quarta-feira, a morte completa um ano e, até hoje, as investigações sobre o caso não foram concluídas. A principal hipótese trabalhada pela 10ª Delegacia de Brasília, responsável pelo inquérito, é de que um suicídio tenha ocorrido, mas a possibilidade de um assassinato segue sem ser descartada.

As dúvidas que ainda pairam sobre o caso levaram a titular da 10ª DP, Nicéia Pinheiro, a pedir a quebra das informações sigilosas sobre movimentações financeiras de pessoas próximas ao ex-assessor do governo estadual. “Ainda aguardamos estes dados, necessários a investigação, para descartar as hipóteses levantadas de assassinato ou suicídio induzido”, afirmou. A morte ocorreu justamente no período em que Cavalcante se preparava para prestar depoimentos ao Ministério Público Federal sobre o escândalo de corrupção no Detran gaúcho. Além disso, de acordo com a revista Veja, interceptações do MPF revelam que Cavalcante foi flagrado afirmando ter enviado dinheiro de caixa 2 para a campanha da governadora Yeda Crusius, acusações rechaçadas pelo Palácio Piratini.

No total, 25 pessoas foram interrogadas pela polícia, entre elas a viúva de Cavalcante, a empresária Magda Koenigkan, e o irmão dele, Marcos, que acredita convictamente na versão do assassinato. Magda, em entrevista à Veja, reiterou que Cavalcante vinha sendo pressionado porque sabia da suposta arrecadação de dinheiro ilegal para a campanha tucana.

Contudo, para a delegada, um laudo da perícia que aponta para a ocorrência de um suicídio é a principal prova na investigação.”Tudo pode mudar de um dia para o outro, mas por enquanto, devo concluír no inquérito que ele se matou”, disse.

Mensagens trocadas pelo ex-chefe do escritório do governo gaúcho, em Brasília, nas quais ele aparentava estar depressivo, também fortalecem a tese da delegada de que tenha ocorrido um suicídio. Nicéia Pinheiro promete concluír a investigação ainda neste semestre.