A Polícia Federal pediu nesta segunda-feira, a prorrogação das investigações do inquérito dos Portos, que investiga se o presidente Michel Temer teria recebido vantagens indevidas em troca de favorecimento a empresas do setor portuário. Segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo, o pedido é para que as investigações sejam prorrogadas por mais 15 dias. Esta é a quarta vez que a PF pede a prorrogação da apuração. A terceira ampliação do prazo foi concedida em agosto pelo ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso.
O inquérito apura se empresas que atuam no Porto de Santos, entre elas a Rodrimar, foram beneficiadas pelo decreto assinado por Temer em maio de 2017. A medida ampliou de 25 para 35 anos as concessões do setor, prorrogáveis por até 70 anos. O inquérito investigava inicialmente, além de Temer, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-assessor do presidente e ex-deputado federal, Antônio Celso Grecco e Ricardo Conrado Mesquita, respectivamente, dono e diretor da Rodrimar. Em agosto, o ministro Barroso atendeu os argumentos da Procuradoria-Geral da República (PGR) e negou desmembrar o inquérito como havia sido pedido pelo dono da Rodrimar.
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Na solicitação enviada à Corte em junho, os advogados de Grecco afirmavam que não havia indício em torno da empresa que justificasse a continuidade das investigações, mas que, se o ministro entendesse que as apurações deveriam prosseguir, o inquérito fosse desmembrado e enviado para a Justiça Federal da primeira instância, na parte relacionada aos representantes da Rodrimar investigados. A PGR foi contra.
Ampliação
Ao longo da apuração, entraram também na mira das investigações o amigo do presidente, João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, e executivos do Grupo Libra.
No âmbito das investigações, a PF chegou a pedir ao Supremo a quebra de sigilo bancário da empresa Eliland do Brasil. Os investigadores analisam a relação da Argeplan, do coronel Lima, com a Eliland, que teve contrato por 10 anos com a Rodrimar. Segundo a PF, há suspeitas de a empresa ser de fachada, criada para constar nos contratos com várias empresas concessionárias do setor portuário e a Argeplan, acobertando o vínculo da empresa do coronel Lima e seus sócios com o setor.
Embora o inquérito tenha sido aberto para apurar fatos relacionados à edição do Decreto dos Portos, a investigação avançou sobre a atuação do grupo político de Temer também relacionados ao setor portuário.
Negativa
Todos os citados no inquérito negam envolvimento em irregularidades. Em notas divulgadas pelo Palácio do Planalto, o presidente Temer nega qualquer tipo de irregularidade em relação ao decreto, que, segundo o governo, foi debatido por grupos de trabalho constituído por órgãos ligados ao setor. A defesa do presidente também já entregou ao STF respostas a questões formuladas pela PF sobre as investigações. Temer chegou a chamar o inquérito de "ficção policial". Nesta segunda, o Planalto não falou sobre o pedido de prorrogação.
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