A cúpula do governo gaúcho e lideranças aliadas, temerosas com a possibilidade das manifestações populares gerarem uma crise institucional no Estado e no país, participaram ontem de reunião no Palácio Piratini. Convocados pelo governador Tarso Genro, deputados federais e estaduais, bem como secretários de Estado, expuseram suas opiniões sobre o que deveria ser feito em relação aos protestos. No encontro, iniciado às 14h e que transcorreu a portas fechadas, Tarso ouviu mais do que falou. Cerca de 15 participantes se inscreveram para explicar suas visões dos acontecimentos.
Um dos secretários sugeriu que o governador ouvisse mais a população. Para ele, grupos de cerca de 200 pessoas deveriam ser chamados aleatoriamente ao Piratini para trazer diretamente a Tarso suas reivindicações. Um parlamentar propôs uma aproximação com o movimento no momento em que os protestos ocorrem. Outro disse que o governo precisa tomar as rédeas da situação.
O clima confirmou a sensação de surpresa dos políticos com a situação. Dois deputados chegaram a questionar se o problema não seria o salário pago a eles – muito maior do que recebe um trabalhador no país.
A maioria dos participantes do encontro não quis comentar oficialmente o que foi discutido. “O governador é quem vai dar o recado na entrevista. Tem que falar com ele”, comentou uma secretária, enquanto descia as escadarias do Piratini. O “recado” dado na entrevista de Tarso logo a seguir foi a ideia da criação do passe estudantil, uma das propostas debatidas durante a reunião das lideranças da base aliada.
Após o anúncio de Tarso, o secretário-geral de Governo, Vinícius Wu, declarou que não é mais possível sustentar a tese de que os protestos violentos são fatos isolados provocados por minoria. “O que aconteceu ontem (quinta-feira) no Rio de Janeiro foi batalha campal que envolveu mais de 3 mil pessoas.” Wu, que é carioca, diz temer que a minoria organizada se sobreponha à maioria que participa dos protestos. “É uma minoria crescente direcionada ao fascismo. O problema de destruir o sistema é saber o que pôr no lugar.”
Políticos do Estado tentam encontrar respostas para protestos
Em reunião no Piratini, Tarso debateu protestos com parlamentares e secretários