Política

Polarização e insegurança impõem fim do corpo-a-corpo com eleitores

Candidato petista é criticado por não sair às ruas e "falar só para dentro". Risco de segurança também limita exposição de Bolsonaro.

O presidente Jair Bolsonaro decidiu intensificar as agendas pelo país para demonstrar força política. Já reconhecido apreciador de motocicletas, o presidente liderou um passeio de moto por rodovias de São Paulo no dia 13 de julho, o que acabou conhecido como “motociata”. Foi acompanhado por milhares de apoiadores e acabou repetindo o ato em diversas cidades, inclusive Porto Alegre e Região Metropolitana, no mês seguinte. Em cada evento, aproveitou para discursar para o público em defesa das liberdades individuais e de ações do governo federal durante a pandemia.
O presidente Jair Bolsonaro decidiu intensificar as agendas pelo país para demonstrar força política. Já reconhecido apreciador de motocicletas, o presidente liderou um passeio de moto por rodovias de São Paulo no dia 13 de julho, o que acabou conhecido como “motociata”. Foi acompanhado por milhares de apoiadores e acabou repetindo o ato em diversas cidades, inclusive Porto Alegre e Região Metropolitana, no mês seguinte. Em cada evento, aproveitou para discursar para o público em defesa das liberdades individuais e de ações do governo federal durante a pandemia. Foto : Alan Santos / PR / CP

Há 17 dias do primeiro turno, a campanha presidencial de 2022 será marcada pelo pouco contato direto com eleitores, imposto aos dois favoritos na disputa pelos rigores da segurança e pelo ambiente de polarização política. O corpo-a-corpo com eleitores, característico desta etapa, foi substituído por mais presença em mídias digitais e pela propaganda mais agressiva na tv e no rádio.

A menos de duas semanas da ida às urnas, a agenda pública do ex-presidente Lula (PT) primeiro colocado das pesquisas, encurtou e está mais fechada, com reuniões de articulação, entrevistas e falas voltadas para o próprio eleitorado - práticas de campanha diferentes das usuais nas últimas quatro vezes em que disputou a presidência. 

O temor de que o candidato seja alvo de agressões motivou restrições que aumentaram no correr da campanha. A exposição controlada leva em conta também a idade do ex-presidente, 76, e as condições de saúde - Lula já teve câncer na garganta. As situações de corpo-a-corpo com eleitores foram excluídas da agenda, que foca em obter resultados por meio da propaganda na tv e da comunicação digital.

A situação é explorada por adversários. O senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) é um dos críticos e ressalta que o candidato petista, na verdade, não teria "condições de sair às ruas". 

Do lado Bolsonarista, há maior exposição pública, mas o presidente que busca a reeleição também não arrisca eventos típicos da campanha de 2018, quando chegou a ser carregado por apoiadores em meio a multidões. Numa dessas ocasiões, no auge da campanha presidencial de primeiro  turno, em Minas Gerais, Bolsonaro (PL) foi alvo de um atentado à faca.

Cercado de forte esquema segurança como candidato e presidente, Bolsonaro arrisca se expôr em locais públicos, como a recente visita a um posto de gasolina em São Paulo, para gravar vídeo de campanha sobre a queda no preço dos combustíveis. As caminhadas a pé com eleitores foram substituídas por motociatas – ocasiões que proporcionam imagens de efeito eleitoral e afastam os riscos do contato direto. 

Entre os candidatos mais bem colocados nas pesquisas, mas ainda aquém dos dois dígitos, Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB), têm maior nível de exposição pública. Eles aparecem com 7% e 5% de intenção de votos, respectivamente.

Não é possível estabelecer uma relação direta entre o novo formato de campanha e o nível de interesse do eleitor pela votação. A falta de comparecimento às urnas registrou em 2018 percentual superior a 20%, de acordo com dados do TSE.