Política

Polo naval gaúcho vai movimentar US$ 6 bilhões, anuncia Dilma

Presidente assinou contrato para construção de duas plataformas de petróleo

No Palácio Piratini, Presidente assinou contrato para construção de duas novas plataformas
No Palácio Piratini, Presidente assinou contrato para construção de duas novas plataformas Foto : André Ávila
Em discurso nesta segunda-feira no Palácio Piratini em Porto Alegre, a presidente Dilma Rousseff disse que agora o Rio Grande do Sul possui um polo naval. "Nós vamos montar aqui a P-75 e a P-77. O polo naval gaúcho vai movimentar 6 bilhões de dólares com a contratação de trabalhadores", anunciou a presidente. 

Dilma afirmou que, no próximo ano, pelo menos 18 mil pessoas estarão trabalhando no setor no Estado. "Em 2003 nós tínhamos 2 mil trabalhadores. Hoje, em todo o País, são 70 mil. E nós temos, de fato, uma indústria naval", fixou. A solenidade marcou a conclusão das obras da P-55 e a assinatura de autorização para a construção das novas plataformas de exploração de petróleo em Rio Grande, no Sul do Estado. As duas unidades serão feitas pela empresa Quip. Por causa do mau tempo, a cerimônia foi transferida para Porto Alegre.

A presidente começou o discurso relembrando a retomada da indústria naval no Brasil e comentou os principais obstáculos enfrentados para recomeçar os trabalhos do setor, quando era ministra de Minas e Energia do governo Lula, em 2003. “Nós tínhamos uma missão que era reaver a indústria naval no Brasil. A discussão era contraditória: uma minoria de empresários defendia que o Brasil tinha todas as condições de voltar a construir. E havia aquela opinião generalizada que nós não tínhamos nem capacidade de engenharia para fazermos os projetos e nem trabalhadores adequados, nem empresas capazes”, recordou.

E não economizou nas críticas aos que eram contrários. “Pois bem, dez anos depois, estamos aqui em outra realidade. Uma realidade que mostra que de fato era uma avaliação muito preconceituosa a respeito do País, da capacidade das suas empresas, de sua engenharia, e da capacidade incansável de seus trabalhadores”, criticou. “Nós tínhamos sido uma das maiores indústrias navais do mundo na década de 80”, sustentou.

Dilma ainda lamentou que a solenidade não pode ser realizada em Rio Grande. “Eu queria muito estar em Rio Grande. Hoje, às 6h da manhã, me disseram que a probabilidade era muito alta de eu não chegar. Como eu queria assinar a P-74 e a P-77 e a P-55 tem que de sair e cumprir todas as partes do contrato, nós fizemos esse ato aqui”, justificou. “Mas acho muito importante dizer que conheço bastante bem a P-55. Conheço praticamente 80% da plataforma. E ela, de fato é fantástica”.

A maior plataforma semissubmersível do País, a P-55, segue para a Bacia de Campos no próximo sábado, onde será instalada. A unidade, que foi completamente projetada pela indústria naval off shore do Brasil, entra em funcionamento em dezembro deste ano. Já a P-75 e P-77 são plataformas Floating Production Storage and Offloading (FPSOs) - aquelas que produzem, armazenam e transferem petróleo. As plataformas P-75 e 77, depois de prontas, serão instaladas no pré-sal da Bacia de Santos.

Outras autoridades

Autoridades como o governador Tarso Genro, prefeito José Fortunati, a presidente da Petrobras, Graça Foster, além dos ministros de Minas e Energia, Edson Lobão; a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário; secretários de Estado e deputados participaram da solenidade no Salão Negrinho do Pastoreio.

A primeira a falar foi a presidente da Petrobras. Graça Foster saudou os trabalhadores dos polos navais e destacou a atuação da P-55. “É muito bom ser brasileira e poder dizer que estamos desenvolvendo a nossa indústria naval. Eu tenho mesmo muito orgulho desses trabalhadores brasileiros”. No mesmo embalo, o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, reforçou que “os operários brasileiros são os melhores do mundo em construção de plataformas”.

Em sua fala, o governador Tarso Genro disse que 2013 será um ano marcante no Rio Grande do Sul. Destacou eventos que contribuem com o crescimento da economia gaúcha, como a Expointer, e o Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho - a soma de todas as riquezas do Estado - no segundo trimestre, que teve alta de 15%.

O petista ainda falou da mudança de perspectiva para a Metade Sul gaúcha graças às políticas do governo federal. “Esse não é um momento de virada. Mas de consolidação de um projeto. A metade Sul do Estado vai enfrentar novos problemas. Mas não são da passividade e da letargia. São problemas do progresso, do desenvolvimento, do trabalho”, ponderou.

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