Dilma afirmou que, no próximo ano, pelo menos 18 mil pessoas estarão trabalhando no setor no Estado. "Em 2003 nós tínhamos 2 mil trabalhadores. Hoje, em todo o País, são 70 mil. E nós temos, de fato, uma indústria naval", fixou. A solenidade marcou a conclusão das obras da P-55 e a assinatura de autorização para a construção das novas plataformas de exploração de petróleo em Rio Grande, no Sul do Estado. As duas unidades serão feitas pela empresa Quip. Por causa do mau tempo, a cerimônia foi transferida para Porto Alegre.
A presidente começou o discurso relembrando a retomada da indústria naval no Brasil e comentou os principais obstáculos enfrentados para recomeçar os trabalhos do setor, quando era ministra de Minas e Energia do governo Lula, em 2003. “Nós tínhamos uma missão que era reaver a indústria naval no Brasil. A discussão era contraditória: uma minoria de empresários defendia que o Brasil tinha todas as condições de voltar a construir. E havia aquela opinião generalizada que nós não tínhamos nem capacidade de engenharia para fazermos os projetos e nem trabalhadores adequados, nem empresas capazes”, recordou.
E não economizou nas críticas aos que eram contrários. “Pois bem, dez anos depois, estamos aqui em outra realidade. Uma realidade que mostra que de fato era uma avaliação muito preconceituosa a respeito do País, da capacidade das suas empresas, de sua engenharia, e da capacidade incansável de seus trabalhadores”, criticou. “Nós tínhamos sido uma das maiores indústrias navais do mundo na década de 80”, sustentou.
Dilma ainda lamentou que a solenidade não pode ser realizada em Rio Grande. “Eu queria muito estar em Rio Grande. Hoje, às 6h da manhã, me disseram que a probabilidade era muito alta de eu não chegar. Como eu queria assinar a P-74 e a P-77 e a P-55 tem que de sair e cumprir todas as partes do contrato, nós fizemos esse ato aqui”, justificou. “Mas acho muito importante dizer que conheço bastante bem a P-55. Conheço praticamente 80% da plataforma. E ela, de fato é fantástica”.
A maior plataforma semissubmersível do País, a P-55, segue para a Bacia de Campos no próximo sábado, onde será instalada. A unidade, que foi completamente projetada pela indústria naval off shore do Brasil, entra em funcionamento em dezembro deste ano. Já a P-75 e P-77 são plataformas Floating Production Storage and Offloading (FPSOs) - aquelas que produzem, armazenam e transferem petróleo. As plataformas P-75 e 77, depois de prontas, serão instaladas no pré-sal da Bacia de Santos.
Outras autoridades
Autoridades como o governador Tarso Genro, prefeito José Fortunati, a presidente da Petrobras, Graça Foster, além dos ministros de Minas e Energia, Edson Lobão; a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário; secretários de Estado e deputados participaram da solenidade no Salão Negrinho do Pastoreio.
A primeira a falar foi a presidente da Petrobras. Graça Foster saudou os trabalhadores dos polos navais e destacou a atuação da P-55. “É muito bom ser brasileira e poder dizer que estamos desenvolvendo a nossa indústria naval. Eu tenho mesmo muito orgulho desses trabalhadores brasileiros”. No mesmo embalo, o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, reforçou que “os operários brasileiros são os melhores do mundo em construção de plataformas”.
Em sua fala, o governador Tarso Genro disse que 2013 será um ano marcante no Rio Grande do Sul. Destacou eventos que contribuem com o crescimento da economia gaúcha, como a Expointer, e o Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho - a soma de todas as riquezas do Estado - no segundo trimestre, que teve alta de 15%.
O petista ainda falou da mudança de perspectiva para a Metade Sul gaúcha graças às políticas do governo federal. “Esse não é um momento de virada. Mas de consolidação de um projeto. A metade Sul do Estado vai enfrentar novos problemas. Mas não são da passividade e da letargia. São problemas do progresso, do desenvolvimento, do trabalho”, ponderou.