O senador Tasso Jereissati (CE) e o governador de Goiás, Marconi Perillo, desistiram nesta segunda-feira, de disputar a presidência do PSDB na convenção nacional do partido, marcada para o próximo dia 9, em Brasília. Com o gesto, eles abriram caminho para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assumir o comando da legenda, buscar a unificação da sigla e fortalecer seu nome como candidato para a Presidência em 2018.
"Nunca me coloquei como pré-candidato, mas, se for para ajudar a unir o partido, vamos avaliar", disse Alckmin ao participar nesta segunda pela manhã de um fórum realizado pela revista Veja. O desfecho representa uma solução para o impasse que quase levou o PSDB à implosão após o presidente licenciado, Aécio Neves (MG), destituir Tasso - crítico do governo Michel Temer - do comando interino e substituí-lo por Alberto Goldman.
Entre os tucanos, uma aliança com o PMDB não está descartada, mas uma eventual defesa do governo na campanha é uma questão que ainda divide o partido. O Palácio do Planalto, contudo, com a articulação no PSDB, já vê uma brecha para possível composição eleitoral no próximo ano.
Assim como ocorreu com o senador Aécio Neves em 2014, Alckmin poderá disputar o Planalto em 2018 na condição de presidente do partido. No PSDB, as desistências de Tasso e Perillo foram encaradas como um gesto de unidade que vai fortalecer o nome do governador paulista como opção de "centro" para a eleição.
Conforme mostrou reportagem do jornal O Estado de S. Paulo publicada na edição de sábado, Temer articula uma frente de centro-direita para defender sua gestão e tentar isolar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A aliança seria formada pelo PMDB e mais seis partidos, incluindo o PSDB - mas caso Alckmin se consolide mesmo como o candidato ele precisaria se reaproximar do partido do presidente.
Nas duas votações no plenário da Câmara dos Deputados das denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Temer, Alckmin não mobilizou os deputados paulistas para defendê-lo, o que irritou peemedebistas. Ele também disse reiteradas vezes que o PSDB não precisa ter cargos no governo para defender as reformas.
A articulação para evitar a disputa interna entre a ala dos "cabeças pretas" - representada por Tasso e crítica a Temer - e a dos "cabeças brancas" - de Perillo, que defende o peemedebista - foi coordenada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Perillo já havia sinalizado que aceitaria essa solução e bateu o martelo no domingo, 26, em um encontro em São Paulo com Alckmin. Tasso esteve com o governador no Palácio dos Bandeirantes na quinta-feira passada. "Vou abrir mão, se necessário, para preservar a unidade do partido", disse Perillo à reportagem. O governador goiano afirmou também que "não vê problema" de o partido defender o "legado de coisas que estão sendo bem feitas" no governo Temer.
Previdência
Perillo propôs ainda que o PSDB, "de forma contundente", "feche" questão na defesa da reforma da Previdência. A sigla chegou a convocar uma reunião na semana passada para tratar do tema, mas não houve consenso.
Quando há fechamento de questão, a bancada é obrigada a votar conforme a orientação do partido. Por ora, o PSDB decidiu orientar os deputados a votar pela aprovação da reforma, mas não vai punir quem votar contra. Na estratégia desenhada pelo Palácio do Planalto, a reforma da Previdência é uma espécie de laboratório para a frente partidária, que seria mantida até a disputa eleitoral de 2018.
"O PMDB pode ser um aliado, mas é muito difícil dizer se o PSDB vai fazer uma campanha defendendo a gestão Michel Temer. Tem um ano pela frente. Não podemos descartar nenhuma hipótese. O certo é que não estaremos com o PT nem com um candidato à direita com estilo próximo ao fascismo, como é o (Jair) Bolsonaro", disse Goldman à reportagem. "Esse é o início da transformação do PSDB no polo do centro no País", disse.
A legenda chegou a ter quatro ministros. Hoje são três: Luislinda Valois (Direitos Humanos), Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo).
Por unidade, Alckmin deverá presidir o PSDB
Políticos Tasso Jereissati e Marconi Perillo desistiram de disputar a previdência do partido