Apesar da diminuição no repasse de verbas dos governos estadual e federal à Prefeitura de Porto Alegre, o município não deve registrar queda na arrecadação de 2015. Em entrevista à Rádio Guaíba nesta segunda-feira, o prefeito José Fortunati afirmou que o resultado positivo é fruto do aperfeiçoamento de um modelo - introduzido em 2005 por José Fogaça e implantado a partir de 2013 - baseado em contratos de gestão. "É um instrumento usado pela iniciativa privada em que departamentos, setores e até subsidiárias firmam metas em cima de orçamentos a serem gastos ao longo do ano", explicou.
Fortunati informou que ainda não tem os dados referentes ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), mas adiantou que a Prefeitura de Porto Alegre deve fechar o ano em azul. "A entrada do IPTU (parcela única) é fundamental para que a gente possa planejar o primeiro semestre de 2016", destacou.
Para o prefeito da Capital, 2016 deve ser ainda mais difícil para os prefeitos brasileiros devido às crises econômica e ético-política. "Pela primeira vez, corruptos e corruptores estão indo para a cadeia. Grandes empreiteiros do país estão na cadeia e isso é positivo", avaliou.
Sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, Fortunati disse que apesar de os prefeitos torcerem para que as investigações sobre corrupção se aprofundem, a maioria acredita que nenhum ato de improbidade atinge, até o momento, a presidente. O prefeito comparou com o processo contra o ex-presidente Fernando Collor de Mello. "Eu era deputado federal e havia sinais muito fortes de improbidade do ex-presidente. A reforma da Dinda foi claramente feita por empreiteiros. Foi impressionante o casting da "Operação Uruguai", quando bilhões de dólares foram desviados e as digitais do ex-presidente estavam impressas", relatou.
Em relação à Segurança Pública, Fortunati disse que tem reservas quanto à municipalização do serviço. "Acho que quem deve cumprir com esta função, por estar melhor preparada, é a Brigada Militar. Obviamente hoje o efetivo é muito inferior ao desejado, mas não é culpa do atual governo, já está há mais de 20 anos com redução, e isso acaba acarretando presença muito menor de policiamento ostensivo e preventivo", acrescentou.
Porto Alegre não deve registrar queda na arrecadação de 2015
José Fortunati reconhece que 2016 será difícil para prefeituras brasileiras