Ela explica que há 600 leitos de saúde mental nos hospitais da Capital, sendo que metade é destinada a dependentes de álcool e drogas. Também há opção de atendimento em Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), onde há vagas para observação, para casos moderados. Atualmente, a quantidade é suficiente para atender a demanda, já que a procura varia, sendo maior em alguns períodos e menor em outros.
De acordo com Loiva, hoje já ocorrem internações involuntárias, a pedido de pais de dependentes que recorrem à Justiça. Com a possibilidade de internação facilitada, a coordenadora prevê que a procura deva aumentar consideravelmente, gerando a necessidade de o governo comprar leitos em instituições privadas.
A coordenadora entende que a lei, da forma proposta, não vai contribuir de forma efetiva para a resolução do problema das drogas. Ela criticou o projeto, que considerou higienista e contrário aos direitos humanos e civis. O alvo das internações, segundo ela, deve ser a população mais vulnerável. Loiva fala que a internação é parte do tratamento, mas não pode se basear apenas nisso. Entre outros medidas a serem adotadas, ela citou ações de prevenção, a fim de evitar a dependência, e criação de outros dispositivos de auxílio na rede.
O Projeto de Lei 7663/10 prevê a internação compulsória, a pedido de familiar ou responsável legal ou, na falta deste, de servidor público da área de saúde, de assistência social ou de órgãos públicos integrantes do Sisnad. Caso ocorra a promulgação, deve haver ainda cadastramento de usuários, isenções fiscais para empresas que contratarem dependentes em tratamento, e ampliação da pena mínima, de cinco para oito anos de prisão, para traficantes, e a instituição de uma cota de 3% das vagas de trabalho em licitações para obras públicas.